O período entre as conquistas do tetra em 1994 e do penta em 2002 pela seleção brasileira foi marcado pelos governos de Fernando Henrique Cardoso, que esteve à frente do país de 1995 a 2002. FHC, que já havia sido ministro da Fazenda durante o governo de Itamar Franco, teve um papel crucial na implementação do Plano Real. Após ser reeleito em 1998, o presidente recebeu a seleção campeã em Brasília, um evento que ficou na memória dos torcedores, especialmente pelas cambalhotas do ex-jogador Vampeta na rampa do Palácio do Planalto.
Vampeta recorda com bom humor aquele momento:
“Eu estive em quinze jogos nas eliminatórias, fiz gol contra a Argentina, disputei partidas em Quito, em Bogotá, em La Paz e em Buenos Aires. Mas o que ficou marcado foi aquela história da rampa do Planalto. Eu me divirto, porque quem é visto é lembrado.”
No livro de memórias escrito pelo jornalista Celso Unzelte, Vampeta explica que se inspirou em um torcedor chamado Nílson Locatelli, que tinha o hábito de dar cambalhotas e alegrar a concentração da seleção. O ex-jogador admite que, naquele dia, estava um pouco alcoolizado, o que contribuiu para a sua ousadia.
Os jogadores da Copa de 2002, realizada no Japão e na Coreia, destacam a união do grupo sob a liderança de Luiz Felipe Scolari. Contudo, Vampeta revela que houve um único momento de tensão envolvendo o atacante Luizão, que ficou chateado por não ter sido chamado para aquecer durante a partida contra a Inglaterra, nas quartas de final. O desentendimento foi resolvido após uma conversa onde ambos se emocionaram.
Vampeta, que presenciou a situação, enfatiza a importância da união entre os jogadores:
“Nós ficávamos em quartos individuais. Eu, Luizão, Dida, Ricardinho e Edilson, por exemplo, nos conhecíamos do Corinthians. Então a amizade é muito grande até hoje. Quando alguém estava meio chateado, um ia para o quarto do outro. Sempre prevaleceu a união e todos se respeitavam.”
Antes da final contra a Alemanha, Vampeta teve a ideia de chamar os reservas para a foto oficial, reforçando a importância de todos no grupo.
“Eu estava sentado no banco e pensei que se der tudo certo, se o Brasil for campeão, na foto estarão apenas os onze titulares. Eu chamei todo mundo do banco e disse: ‘então a foto vai sair com doze’.”
Após a vitória por 2 a 0, Vampeta homenageou sua cidade natal, Nazaré das Farinhas, ao escrever na camisa amarela: “100% Nazaré”. Ele ressalta a grandeza do futebol brasileiro:
“Ninguém no Brasil aceita ser segundo colocado, principalmente quando se trata da seleção brasileira. Graças a Deus, faço parte dessa história de ser campeão mundial com a camisa da seleção.”
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