Organizações e empresas do setor de energia renovável, tanto nacionais quanto internacionais, apresentaram propostas a pré-candidatos à presidência da República com o objetivo de fortalecer a transição energética no Brasil. A intenção é posicionar o país como uma liderança global neste mercado, conforme uma carta divulgada por 24 entidades do setor, em evento realizado em Brasília no dia 27 de maio de 2026.
Entre as sugestões apresentadas, destaca-se a criação de um Mapa do Caminho para a transição dos combustíveis fósseis para as energias renováveis e a eletrificação. Além disso, as propostas incluem a necessidade de destravar a infraestrutura de transmissão e armazenamento, a fim de maximizar o uso da energia renovável disponível, e alinhar as políticas energéticas e industriais para fomentar a demanda por energias renováveis e empregos verdes.
“O Brasil está diante de uma janela histórica para consolidar sua liderança na transição energética global, e corre o risco concreto de perdê-la caso o próximo governo não assuma compromissos de implementação robustos e coordenados”, diz um trecho da carta.
A transição energética é fundamental para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, substituindo combustíveis fósseis como carvão e petróleo por fontes limpas e renováveis, como biomassa, energia eólica e solar. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica indicam que 58% da matriz energética global ainda é composta por petróleo e carvão, enquanto o Brasil se destaca por ter uma das matrizes de energia mais limpas do mundo, com 50% de sua energia proveniente de fontes renováveis, superando em 36% a média mundial.
No entanto, o setor ressalta que os investimentos em energias renováveis no Brasil ainda são insuficientes e pede a implementação de políticas de incentivo. Segundo o Instituto de Estudos Socioeconômicos, em 2024, para cada R$ 1 investido em energias renováveis, aproximadamente R$ 2,52 foram direcionados às fontes fósseis.
A carta também menciona as tensões geopolíticas e os conflitos motivados pela disputa de petróleo, reforçando a urgência da transição energética. “Tensões geopolíticas crescentes, guerras regionais e a volatilidade extrema dos mercados de petróleo e gás tornaram evidente que combustíveis fósseis são intermitentes em termos de fornecimento e preço. As energias renováveis, ao contrário, atuam como um escudo estratégico, protegendo economias nacionais de choques externos”, afirma o documento.
Luis Viga, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), destaca que o Brasil possui um potencial significativo para oferecer soluções energéticas híbridas, além de estar em uma posição privilegiada devido à sua neutralidade em conflitos. “O Brasil conversa com a China e com os Estados Unidos e tem a capacidade de fornecer energia barata em larga escala”, afirma.
Natália Oliveira, Head de Policy and Advocacy para a América Latina na Global Renewables Alliance, considerou o lançamento das propostas um marco importante. “A carta reúne prioridades concretas e transmite aos futuros candidatos à Presidência uma mensagem clara sobre a importância de incluir a transição energética no projeto de desenvolvimento do país, com diálogo, previsibilidade e compromisso de longo prazo”, ressalta.
A entrega da carta aos candidatos à Presidência da República ocorrerá após a confirmação oficial das candidaturas pelos partidos políticos.
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