Entre janeiro e junho de 2026, Sergipe registrou 31 doadores efetivos e 168 captações de órgãos e tecidos, consolidando crescimento expressivo na área de transplantes no estado.
Em um dos momentos mais delicados vividos por qualquer família, uma decisão tomada dentro do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) transformou dor em esperança e abriu uma nova chance de vida para pacientes à espera de transplante em diferentes partes do país. Natural de Simão Dias, município da região Centro-Sul de Sergipe, um paciente de 61 anos deu entrada na Ala Vermelha da unidade após sofrer um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVC-H). Depois de todos os cuidados prestados pela equipe médica e da confirmação do protocolo de morte encefálica, a família autorizou a doação dos órgãos — um gesto de solidariedade profunda em meio à dor.
Fígado, rins e córneas foram captados. O fígado foi destinado a um paciente no Rio de Janeiro, os rins seguiram para o Rio Grande do Sul e as córneas permaneceram em Sergipe, beneficiando pacientes que aguardam por transplante no próprio estado. Para a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Sergipe, Darcyana Lisboa, esse processo vai muito além dos protocolos clínicos. “Durante todo o processo, acompanhamos cada etapa do protocolo de morte encefálica, desde a realização dos exames clínicos até a confirmação diagnóstica. Paralelamente a isso, existe um trabalho fundamental de acolhimento com os familiares. É um momento extremamente delicado, e essa conversa precisa acontecer de forma muito humanizada, com escuta, respeito e todo o suporte necessário, para que a família compreenda a importância dessa decisão e possa, dentro do seu tempo, fazer uma escolha consciente sobre a doação”, explicou Darcyana.
A história ilustra uma tendência que vem se consolidando em Sergipe. Dados da Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe (SES), apontam crescimento significativo nos indicadores do setor ao longo do primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o estado registrou 168 captações de órgãos e tecidos e realizou 116 transplantes, incluindo os de córneas. O avanço mais expressivo está no número de doadores efetivos: enquanto no primeiro semestre de 2025 foram contabilizados 23 doadores, no mesmo período de 2026 esse número subiu para 31 — um crescimento de 25,8%. Para Darcyana Lisboa, os números refletem um processo contínuo de conscientização da população e o fortalecimento do trabalho realizado diariamente pelas equipes que atuam em toda a rede estadual de saúde de Sergipe.





Fonte: Governo de Sergipe – Saúde
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