O Senado rejeitou, por 6 votos a 4, o parecer do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O documento propunha o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Foco da comissão
A CPI foi criada para apurar a atuação de facções criminosas, sobretudo ligadas ao narcotráfico. Durante os trabalhos, porém, parte dos integrantes tentou direcionar as investigações para supostas ligações financeiras envolvendo o Banco Master e autoridades públicas.
Argumentos do relator e reação interna
Vieira alegou que houve “desvirtuamento de finalidade” por parte dos citados e incluiu seus nomes na lista de indiciamentos. O presidente da CPI, senador Fábio Contarato (PT-ES), discordou. “Esse ato de indiciamento é de grande responsabilidade porque envolve a confiança e a vida das pessoas. Se eu não provar isso, não posso presumir”, afirmou.
Personagens que ficaram de fora
O relatório não recomendou o indiciamento de nomes ligados ao mercado financeiro, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontados por parlamentares como centrais na investigação sobre lavagem de dinheiro.
Movimentação no STF e na PGR
Após a derrota do parecer, Gilmar Mendes informou que apresentará representação à Procuradoria-Geral da República por suposto abuso de autoridade cometido por Alessandro Vieira. Caso a PGR identifique indício de crime, a denúncia deverá ser encaminhada ao próprio STF, foro competente para processar senadores.
Repercussão política
A condução do relatório colocou em dúvida a viabilidade de reeleição de Alessandro Vieira em Sergipe. Inicialmente posicionado para disputar uma das duas cadeiras ao Senado ao lado de Rogério Carvalho (PT), André Moura (União) e Edvaldo Nogueira (PDT), o parlamentar pode passar a competir pelo eleitorado mais conservador, onde já atuam Rodrigo Valadares (PL) e André David (Republicanos).
Trajetória recente
Delegado de polícia de carreira, Vieira ganhou projeção nacional ao relatar o Projeto de Lei 5.582/2025, conhecido como Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, sancionado em março de 2024.
Com a rejeição do relatório e a reação de ministros do Supremo, o senador enfrenta agora questionamentos tanto no campo jurídico quanto no eleitorado que o apoiava.
Com informações de Infonet
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