O jornalista Marcos Cardoso, em artigo publicado no Portal Infonet, sustenta que os Estados Unidos mantêm, desde o século XIX, uma política de intervenções militares, econômicas e políticas na América Latina e no Caribe. O autor relembra episódios iniciados em 1836, com a guerra contra o México, e segue até um ataque apontado para 2025 contra a Venezuela, para ilustrar a continuidade do que classifica como prática imperialista norte-americana.
Cenário histórico e doutrina
Cardoso recorda que, em 1823, a Doutrina Monroe definiu a região como área de influência de Washington, orientação que, segundo ele, guiou a diplomacia norte-americana por 150 anos e é resgatada “aberta e cinicamente” pelo ex-presidente Donald Trump.
O texto recorre a autores como Norberto Bobbio, John Atkinson Hobson, Vladimir Lênin, Paul Baran e Paul Sweezy para caracterizar o imperialismo como expansão violenta, busca de novos mercados e estímulo à economia de guerra. O autor também menciona o historiador Howard Zinn, que vê coerência entre essa política externa e interesses de elites econômicas locais.
Cronologia das intervenções citadas
1836 – Guerra contra o México para anexar o Texas.
1898 – Conflito com a Espanha garante controle sobre Cuba, Porto Rico e territórios no Pacífico.
1903 – Apoio ao movimento separatista que levou à independência do Panamá e ao domínio do canal por um século.
1911 – Novo confronto com o México após incidente diplomático em Vera Cruz.
1915 – Invasão do Haiti, com tropas permanecendo até 1934.
1916 – Ocupação da República Dominicana, encerrada em 1924.
1946 – Instabilidade na Bolívia resultou no assassinato do presidente nacionalista.
1954 – Deposição de Jacobo Arbenz na Guatemala e crise que levou ao suicídio de Getúlio Vargas no Brasil.
1955 – Queda de Juan Domingo Perón na Argentina.
1961 – Tentativa de invasão de Cuba pela Baía dos Porcos.
1964 – Participação em articulações para derrubar João Goulart no Brasil.
1965 – Nova intervenção na República Dominicana.
1973 – Golpe que derrubou Salvador Allende no Chile e instalação de ditadura no Uruguai.
1975 – Golpe contra Juan Velasco no Peru.
Anos 1980 – Apoio a contrarrevolucionários na América Central; financiamento à ditadura Somoza na Nicarágua.
1981 – Assassinato de Omar Torrijos no Panamá, atribuído a agentes da CIA.
1982 – Suporte logístico britânico na Guerra das Malvinas.
1983 – Invasão da ilha de Granada.
1989 – Operação militar no Panamá para capturar Manuel Noriega.
Anos 1990 – Ações no Haiti (1995) e implantação do Plano Colômbia (1999).
2002 – Tentativa de golpe contra Hugo Chávez na Venezuela; invasões ao Afeganistão e ao Iraque.
2005 – Eleições de Evo Morales na Bolívia e de Rafael Correa no Equador são citadas como novo alvo de pressões.
2009 – Golpe que afastou Manuel Zelaya em Honduras.
2012 – Cassação relâmpago de Fernando Lugo no Paraguai.
2025 – Segundo o autor, ataque dos EUA a Caracas para capturar o presidente Nicolás Maduro, justificando a ação como combate ao terrorismo e ao narcotráfico e mencionando interesse no petróleo venezuelano.
Governantes citados
O artigo afirma que pouco importa o partido ou o presidente no poder em Washington — sejam democratas ou republicanos, de Barack Obama a Donald Trump —, pois a lógica expansionista permaneceria inalterada.
Cardoso conclui que a guerra teria se convertido em negócio vital para a economia norte-americana, com investimento maciço em armamentos e tecnologia, alimentando o chamado “complexo industrial-militar”.
Com informações de Portal Infonet
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