A greve da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), encerrada na sexta-feira, 30 de maio de 2026, após 35 dias, teve um efeito significativo sobre o comércio local na região central de São Paulo, onde a instituição está localizada. Os comerciantes da área relataram uma queda drástica no movimento, uma vez que muitos de seus clientes são alunos da faculdade.
Desde o início da greve, em 24 de abril, o prédio da faculdade foi cercado por piquetes, impedindo a realização das aulas. Isso resultou em uma diminuição considerável no fluxo de clientes para os estabelecimentos que oferecem serviços como táxi, alimentação e livros de estudo. Um comerciante, que preferiu não se identificar, afirmou que cerca de 80% de sua clientela é composta por estudantes. Com a paralisação, seu local de trabalho ficou, na maioria dos dias, vazio.
“Aqui, costumávamos atender cerca de 150 pessoas diariamente, mas esse número caiu para apenas 30 com a greve”, relatou o vendedor, que destacou o impacto financeiro da situação. “O aluguel é de R$ 20 mil e trabalhamos apenas 160 dias letivos ao ano, devido a feriados e férias. É difícil se manter assim, e a greve só piorou tudo.”
A oposição à greve entre os estudantes da Faculdade de Direito também apresentou uma queda significativa. Um aluno da instituição, responsável por compilar os dados das votações semanais, informou que a aprovação da greve despencou em mais de 60% desde a primeira Assembleia Geral Extraordinária (AGE). Na primeira votação, 902 estudantes apoiaram a continuidade da paralisação, enquanto na votação mais recente, apenas 325 votos favoráveis foram contabilizados.
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Os estudantes que se manifestaram contra a greve relataram um cansaço em relação à paralisação e preocupações com o conteúdo perdido e as provas agendadas. Em uma pesquisa de opinião realizada pela diretoria da faculdade, 766 estudantes se mostraram contrários à greve, em contraste com 325 que apoiavam a continuidade da paralisação. Este levantamento foi inédito, pois as assembleias anteriores eram realizadas apenas de forma presencial.
“A votação presencial muitas vezes impede que as pessoas se manifestem. Muitos têm medo de se expor ou não conseguem tempo para comparecer”, afirmou um aluno contrário à greve.
Na segunda-feira, 25 de maio, a greve estudantil ganhou o apoio dos professores da USP, que também decidiram paralisar as atividades em busca de um reajuste salarial. A assembleia da Associação dos Docentes da USP convocou uma nova reunião para o próximo dia 1º de junho, e atualmente, mais de 100 cursos da USP estão sem aulas, incluindo 69 na Unesp e 65 na Unicamp.










