Aracaju – Uma entrevista concedida em 12 de novembro de 2021 pela jornalista e artista sergipana Clara Angélica Porto Caskey, morta em 10 de maio de 2026 aos 76 anos, expõe detalhes pouco conhecidos da relação dela com o consagrado escritor e repórter Joel Silveira (1918-2007) e dos bastidores de sua passagem pela Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe entre 1987 e 1988.
Primeiro contato
Clara Angélica relatou que conheceu Joel Silveira durante uma solenidade no Cacique Chá, em Aracaju, no início do primeiro governo de João Alves Filho (1983-1986). A partir dali, iniciou uma amizade marcada por longas conversas telefônicas e visitas à residência do jornalista no Rio de Janeiro, onde, segundo ela, era tratada “como uma filha”.
Convite para a Secretaria
Em 1986, após a eleição de Antônio Carlos Valadares para o governo estadual, o então jornalista Luiz Eduardo Costa procurou Clara para articular a criação da Secretaria da Cultura. Valadares condicionou a nova pasta à aceitação de Joel Silveira como titular. A entrevistada viajou ao Rio e apresentou a proposta ao escritor, que impôs uma série de exigências logísticas e pessoais — entre elas, a nomeação de Clara como secretária adjunta.
Com todas as condições atendidas, Joel assumiu o cargo em 1987 e passou a morar em Aracaju com a esposa, Iracema. O casal foi instalado em apartamento mobiliado no Condomínio Sílvio César Leite, na Barão de Maruim.
Trabalho e rotina
Clara lembra que, no período inicial, a equipe estruturou a nova secretaria em um andar do Edifício Walter Franco. Joel participava das decisões, mas delegava a ela a execução diária. Viagens a Brasília eram acompanhadas por recepções oferecidas por figuras como José Aparecido de Oliveira, então governador do Distrito Federal, e encontros com intelectuais como Darcy Ribeiro, Gilberto Gil e Capinam.
Conflitos e afastamento
Segundo o depoimento, o convívio intenso acabou gerando desgaste. Comentários sobre a vida pessoal de Clara, difundidos por adversários internos, abalaram a confiança de Joel, que pediu ao governador sua substituição. Ela deixou o posto após pouco mais de um ano e não voltou a ver o jornalista até sua morte, em 2007.
A entrevista, registrada antes do falecimento de Clara Angélica, oferece um panorama íntimo da personalidade exigente de Joel Silveira, de sua influência nacional e do processo de criação da primeira Secretaria de Cultura de Sergipe.
Com informações de Portal Infonet



