Na última terça-feira, 26 de maio de 2026, representantes do setor produtivo se reuniram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em um encontro que contou também com a presença de senadores da oposição. O objetivo da reunião foi solicitar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que propõe a alteração da jornada de trabalho e a redução da escala 6×1, não tenha uma tramitação acelerada.
Os empresários presentes na reunião defenderam que a discussão da proposta seja postergada para após as eleições. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que o grupo fez um apelo por mais tempo para debater a proposta.
“Foi pedido que houvesse mais tempo para ser discutido, que não fizesse a toque de caixa e principalmente que a discussão não acontecesse na época eleitoral”, declarou Marinho, ressaltando que o texto atual pode trazer efeitos negativos para o país.
A PEC, que já foi negociada entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê a concessão de dois dias de folga semanal ainda neste ano e uma redução gradual da jornada de trabalho de 44 para 40 horas em um prazo de 14 meses.
Mesmo com a proposta aguardando aprovação da Câmara, os empresários estão articulando no Senado para ampliar o prazo de transição e retardar a análise da medida. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que participou da reunião, levou representantes de diversos setores, incluindo indústria, comércio, agricultura, bares, restaurantes e shopping centers.
“O presidente ouviu com atenção e sentiu que é complexo o assunto e que merece ser discutido com profundidade”, afirmou Skaf, expressando a preocupação dos empresários com a velocidade da tramitação na Câmara.
O governo Lula considera a mudança na jornada de trabalho uma das estratégias para aumentar o apoio popular antes da eleição presidencial. Nos bastidores, há uma defesa para que Alcolumbre escolha um relator que não esteja concorrendo à reeleição neste ano, a fim de minimizar a influência eleitoral sobre a discussão.
A tramitação da proposta no Senado terá início pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Otto Alencar (PSD-BA), um aliado do governo. Caso os senadores façam alterações no texto aprovado pela Câmara, a proposta precisará retornar para nova análise dos deputados.

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