A dívida pública bruta do Brasil alcançou 80,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril de 2026, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira, 29/05. Este índice representa um aumento de 0,3 ponto percentual em relação ao mês anterior, elevando o total do endividamento do país para R$ 10,4 trilhões. O cálculo inclui as contas do governo federal, do INSS, além das gestões estaduais e municipais.
Em 2026, o crescimento das obrigações financeiras já acumula alta de 1,7 ponto percentual do PIB. O BC atribuiu esse avanço principalmente ao impacto dos juros nominais. Os gastos com juros da administração pública anularam os efeitos positivos gerados pelo crescimento da atividade econômica e pela valorização do câmbio durante o período.
Os custos para a manutenção das obrigações do Estado brasileiro dispararam no último ano. Em abril, o setor público consolidado gastou R$ 84,8 bilhões apenas com juros nominais, um aumento em relação aos R$ 69,7 bilhões desembolsados no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, esses gastos atingiram a marca recorde de R$ 1,095 trilhão, representando 8,43% de toda a riqueza produzida no Brasil.
A escalada dos custos financeiros tem pressionado o caixa do governo, resultando em um déficit nominal de R$ 60,1 bilhões no último balanço mensal. Em 12 meses, o rombo nominal se estabilizou em R$ 1,222 trilhão, mantendo uma taxa de desperdício de 9,41% do PIB. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) também seguiu a tendência de alta, alcançando 67,4% do PIB, totalizando R$ 8,8 trilhões.
Apesar do cenário desafiador, o setor público consolidado reportou um superávit primário de R$ 24,624 bilhões em abril, superando as expectativas de mercado que previam um saldo de R$ 22 bilhões. O governo central foi responsável pelo principal resultado positivo, com R$ 26,1 bilhões, enquanto estados e municípios registraram um saldo modesto de R$ 329 milhões. As empresas estatais federais, por outro lado, apresentaram um déficit de R$ 1,8 bilhão.
A sobra temporária no caixa operacional, no entanto, não resolve a questão estrutural das contas públicas. O balanço do Banco Central revela que o setor público acumulou um déficit primário real de R$ 126,6 bilhões nos últimos 12 meses, o que equivale a 0,97% do PIB, evidenciando a dificuldade da gestão federal em controlar a expansão dos gastos correntes.



