A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, reafirmou o princípio de “não interferência” em resposta à recente decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa na última quinta-feira, 28 de maio.
“A China defende o princípio de não interferência em assuntos internos”, declarou Mao Ning, abordando a medida do Departamento de Estado dos EUA que incluiu as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras.
O anúncio foi feito após a visita do senador pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao presidente americano, Donald Trump. Nas redes sociais, o senador expressou gratidão pela decisão. “Muito obrigado, Sr. secretário de Estado!”, escreveu. “O combate aos narco-terroristas precisa ser feito com a união entre os países afetados pela atuação criminosa deles! O povo brasileiro agradece!”
No entanto, o governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, não vê a mesma forma. O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, criticou a decisão americana, considerando-a um “pretexto para intervenção” no Brasil. Ele afirmou: “Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável.”
Além disso, Mao Ning confirmou uma visita oficial do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, à China, programada para ocorrer entre 31 de maio e 2 de junho. Ela destacou a importância da relação entre os dois países, que ocupa uma posição de destaque nas parcerias da China com nações em desenvolvimento.
“Esperamos que, por meio desta visita, ambas as partes consolidem ainda mais a confiança mútua política e estratégica, continuem a progredir na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado, demonstrem um senso de responsabilidade na promoção da solidariedade e da cooperação entre os países do Sul Global e contribuam para a paz e a estabilidade mundial”, concluiu a porta-voz.



