No próximo dia 17 de março, Aracaju completa 171 anos de emancipação política. Para marcar a data, a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) relembra o processo que, em 1855, transferiu a sede do governo provincial de São Cristóvão para o então povoado de Santo Antônio do Aracaju.
Decisão estratégica no século XIX
A mudança de capital foi motivada por dificuldades logísticas enfrentadas em São Cristóvão, situada longe do litoral. À época, produtores de açúcar pressionavam por um porto mais acessível para escoar a safra. O presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa, liderou a iniciativa.
Em 17 de março de 1855, a Resolução nº 413, aprovada pela Assembleia Legislativa Provincial e sancionada por Barbosa, elevou o povoado à categoria de cidade, denominando-o Cidade do Aracaju, e oficializou a transferência da capital. O nome “Aracaju” vem do tupi e significa “cajueiro dos papagaios”.
Capital planejada
Diferentemente de muitas cidades brasileiras, Aracaju foi concebida com planejamento urbano. A comissão de engenheiros chefiada por Sebastião Basílio Pirro desenhou ruas retas e quarteirões regulares em formato de tabuleiro de xadrez, conhecido como Quadrado de Pirro. A única curva prevista foi a da avenida que margeia o rio. Construir a nova cidade exigiu aterros em áreas de mangue e pântanos.
Legislativo acompanha a mudança
O Poder Legislativo sergipano, criado em 1835, iniciou suas sessões no Convento de São Francisco, em São Cristóvão. Com a nova capital, passou a reunir-se perto da atual Praça Fausto Cardoso e, entre 1868 e 1874, ganhou sede própria no Palácio Fausto Cardoso. Desde 9 de maio de 1987, a Assembleia está instalada no Palácio Governador João Alves Filho, na Avenida Ivo do Prado.
Entre as ações de modernização, destacam-se a criação da Escola do Legislativo João de Seixas Dória, em 2003, dedicada à formação cidadã, e da TV Alese, em 2004, que passou a transmitir em sinal aberto em 2017.
Legado de Inácio Joaquim Barbosa
Responsável pela transferência da capital, Inácio Barbosa morreu em 6 de outubro de 1855, vítima de cólera. Seus restos mortais repousam sob um obelisco na Praça Inácio Barbosa, em Aracaju, preservado pela Petrobras.
Mais de um século e meio depois, Aracaju mantém o papel de centro político, econômico e administrativo de Sergipe, refletindo o projeto de desenvolvimento iniciado com a mudança da capital em 1855.
Com informações de Assembleia Legislativa de Sergipe
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