No Dia Nacional do Diabetes, maternidade revela que 812 das 5.462 gestantes atendidas entre janeiro e maio apresentaram a condição. A doença é o segundo diagnóstico mais frequente na unidade.
Nesta sexta-feira, 26 de junho, data em que se celebra o Dia Nacional do Diabetes, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) — referência estadual para partos de alto risco — divulga um dado preocupante: cerca de 15% das pacientes atendidas na unidade apresentam diabetes gestacional. De janeiro a maio deste ano, foram atendidas no setor de Admissão 5.462 gestantes, das quais 812 receberam o diagnóstico da condição.
A informação foi apresentada pela gerente da Admissão da MNSL, Angélica Aragão, que destacou a gravidade do cenário. “O diabetes gestacional é o segundo diagnóstico de maior incidência nos atendimentos da maternidade, sendo o primeiro as síndromes hipertensivas”, afirmou. A data serve como alerta para a necessidade de conscientização e prevenção, especialmente porque, na grande maioria dos casos, a doença é silenciosa — seus sintomas costumam ser leves e facilmente confundidos com os da própria gestação.
Entre as pacientes atendidas na maternidade está a dona de casa Larissa Gabrielly Borges, de Laranjeiras, que descobriu o diabetes gestacional durante a gravidez de Ayanna Gabrielly. Ela realizou o pré-natal de risco no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) e foi encaminhada à MNSL para o parto. “Eu nunca tive diabetes, mas apareceu na gestação. Assim que descobrimos, iniciamos o tratamento. Eu tive a minha filha com 38 semanas e ela nasceu enorme, com 4,2 kg. Agora as minhas taxas estão todas normais. Meu maior medo era ter desenvolvido essa doença, mas, graças a Deus, estou bem”, relatou.
A ginecologista e obstetra da MNSL, Glícia Ramos, explica que o diabetes gestacional é uma alteração no metabolismo da glicose diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez, em mulheres que não apresentavam a doença antes de engravidar. Nessa condição, o organismo não consegue produzir insulina suficiente para atender à maior demanda gerada pela gestação, resultando em níveis elevados de glicose no sangue. “É uma das complicações metabólicas mais comuns da gravidez e, quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode trazer riscos sérios tanto para a mãe quanto para o bebê”, alertou a médica.
Para Glícia Ramos, o pré-natal é a principal ferramenta de combate à doença. “O pré-natal adequado é a única forma de rastrear, diagnosticar e tratar o diabetes gestacional dentro do tempo certo. O pré-natal não é burocracia, é proteção de vida, tanto da mãe quanto do bebê”, enfatizou. A especialista listou os principais fatores de risco: obesidade ou sobrepeso antes da gravidez, histórico familiar de diabetes em parentes de primeiro grau, idade materna igual ou superior a 35 anos, antecedente de diabetes gestacional em gestação anterior, bebê anterior com peso acima de quatro quilos ao nascer (macrossomia), síndrome dos ovários policísticos, sedentarismo e alimentação rica em carboidratos refinados e açúcares. A médica ressaltou, no entanto, que a condição pode ocorrer mesmo em mulheres sem nenhum desses fatores, reforçando a importância do acompanhamento pré-natal regular.



Fonte: Governo de Sergipe – Saúde
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