O julgamento da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entrou no sétimo dia no domingo, 31 de maio de 2026. No banco dos réus estão o ex-vereador Jairo Souza Santos e a professora Monique Medeiros, acusados do crime. Eles são o padrasto e a mãe do menino, respectivamente. O Tribunal do Júri começou a ouvir as testemunhas de defesa dos réus no sábado, 30 de maio, e as sessões devem continuar ao longo da semana.
Presidido pela juíza Elizabeth Machado Louro, o júri ouviu, no último domingo, o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique e principal testemunha de defesa. Durante mais de oito horas de depoimento, ele respondeu a perguntas da juíza, das defesas e da acusação, representada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Bryan descreveu sua irmã como uma mãe dedicada, que sempre trabalhou e esteve ao lado do ex-marido Leniel Borel, pai de Henry, “nos altos e baixos” da vida.
Ele também falou sobre o relacionamento da irmã com Jairo, afirmando que os dois se conheceram pela internet e que o padrasto era gentil. De acordo com Bryan, nenhum familiar desconfiou que Jairo poderia ser responsável pelas agressões que levaram à morte do menino, conforme a denúncia. Monique enfrenta acusações de tortura e participação no homicídio.
“Acredito que ela jamais permitiria qualquer agressão ao filho”, disse Bryan durante seu depoimento.
Bryan ainda relatou que, após a divulgação dos laudos que relacionavam as lesões de Henry a agressões, Jairo tentou persuadir Monique a mentir sobre os fatos que antecederam a morte do garoto. Ele afirmou que uma prima alertou a família sobre a possibilidade de Monique estar sendo manipulada, o que levou à decisão de buscar uma defesa separada da de Jairo.
No sábado, foram ouvidos também um colega de trabalho de Monique e uma funcionária da brinquedoteca do condomínio onde ocorreu o crime. A funcionária relatou que Monique era atenciosa e frequentemente visitava o local com Henry.
Na sexta-feira, 29 de maio, os jurados ouviram as testemunhas de acusação, incluindo o pai de Henry, Leniel Borel, que prestou depoimento até às 4h15 da madrugada de sábado.
O advogado Cristiano Medeiros, assistente da acusação, comentou que o depoimento de Bryan não altera o conjunto de provas do processo, uma vez que ele não presenciou os eventos e as informações que possui foram contadas por Monique após sua prisão, quando ela tinha interesse em construir uma versão defensiva.
A defesa de Jairo argumenta que a laceração hepática que provocou a hemorragia e morte de Henry teria sido causada por manobras de ressuscitação no hospital. Entretanto, o médico-legista Luiz Carlos Leal Preste discordou dessa tese durante o julgamento, afirmando que as lesões foram causadas por agressões.
Outro legista, Luiz Airton Saveedra de Paiva, também relatou traumas em diferentes partes do corpo de Henry, apontando que o menino estava sem vida ao chegar ao hospital. O delegado do caso, Henrique Damasceno, confirmou que Jairo tentou pressionar a unidade de saúde para que atestasse a morte da criança sem encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML).
De acordo com a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Jairo espancou até a morte o menino Henry, enquanto Monique se omitia da responsabilidade. O Ministério Público afirma que Jairo submeteu o menino a sofrimento físico e mental em outras três ocasiões em fevereiro de 2021. Jairo enfrenta várias acusações, incluindo homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo. Monique responde por sete crimes, incluindo homicídio por omissão qualificado.
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