A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as principais facções brasileiras — o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) — como organizações terroristas internacionais representa um marco significativo na luta contra o crime organizado. Esta medida não é um mero formalismo burocrático, mas sim uma oportunidade histórica para o Brasil atacar o coração do crime organizado, algo que as forças de segurança públicas locais não têm conseguido realizar sozinhas em um contexto global.
Essa classificação tem o mérito de deslocar o combate à criminalidade de uma abordagem tradicional, focada nas favelas e periferias, para uma guerra financeira de alta intensidade contra as lideranças do crime. O crime organizado no Brasil deixou de ser uma questão local de segurança pública para se tornar um problema transnacional que exige uma resposta mais robusta.
Um diagnóstico do Ministério Público brasileiro evidencia a gravidade do cenário: uma única ação da Operação Carbono Oculto revelou que apenas seis fintechs, que atuam como bancos paralelos para o PCC, movimentaram a impressionante quantia de R$ 26 bilhões. Esse volume considerável de recursos não é estático; ele afeta o sistema financeiro e o comércio nacional, financiando corrupção, fraudes em licitações, controle de prefeituras, campanhas eleitorais, e criando uma concorrência desleal que prejudica a livre iniciativa.
A legitimidade da classificação feita pelos EUA é corroborada pela realidade no Brasil. Embora o PCC e o CV tenham surgido como quadrilhas de narcotráfico, suas estratégias evoluíram, incluindo táticas de terrorismo para coerção e demonstração de poder. O crime organizado não hesita em usar o terror psicológico, destruir infraestruturas públicas e gerar pânico para subjugar o Estado e a sociedade civil, o que se alinha ao conceito de atos terroristas.
Contrariando opiniões que veem essa classificação como uma violação da soberania, a ação norte-americana visa, na verdade, devolver à sociedade o direito de ocupar seu território e suas instituições. As verdadeiras violações de soberania são cometidas pelas facções, que impõem um poder paralelo armado.
O Brasil mantém sua autonomia territorial e jurídica, com as forças operacionais e decisões judiciais sob controle das autoridades locais. Argumentos que sustentam a ideia de “intromissão” distorcem a realidade para fins políticos, ignorando que a verdadeira soberania é protegida ao asfixiar criminosos, e não ao isolar o Brasil dos mecanismos globais de justiça financeira.
A cooperação internacional e o uso de novos instrumentos de asfixia econômica são cruciais para reduzir a violência nas metrópoles brasileiras. Cortar o oxigênio financeiro do PCC e do CV significa limitar sua capacidade de adquirir armamentos e tecnologias que desafiam as estruturas do Estado. O grande trunfo das facções não é apenas o tráfico de drogas, mas sim sua habilidade em lavar dinheiro. Ao bloquear esse circuito global, o império criminoso começa a ser desmantelado internamente.
Siga o Sergipe News e receba as notícias de Sergipe em primeira mão.








