Na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, o Palácio do Planalto convocou uma reunião de emergência para discutir as implicações da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pelo governo dos Estados Unidos. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado, gerou preocupações sobre possíveis impactos econômicos e financeiros no Brasil.
A reunião contou com a presença dos ministros Dario Durigan, da Fazenda, e Wellington César, da Justiça e Segurança Pública, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues. Também participaram assessores do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e integrantes da Assessoria Especial da Presidência da República, incluindo o embaixador Audo Faleiro.
O encontro teve início pela manhã e se estendeu até o início da tarde, com a promessa de novos encontros nos ministérios envolvidos para dar continuidade às discussões. A reunião visou traçar a resposta oficial do governo brasileiro, que enfatizou a defesa da soberania nacional e criticou os pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, direcionados a autoridades do governo americano.
O governo Lula já havia se preparado para a reunião na noite anterior, 28 de maio, em resposta à oficialização da medida. Além de discutir a resposta diplomática, o encontro também abordou os riscos que a designação poderia trazer ao sistema financeiro do Brasil. A diplomacia brasileira expressou preocupações sobre possíveis sanções que poderiam afetar bancos nacionais, que poderiam ser proibidos de realizar operações internacionais, como aconteceu anteriormente com instituições financeiras do México.
“Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin, em declaração em São Paulo.
O PCC e o CV foram os mais recentes grupos criminosos brasileiros a serem impactados pela designação do Departamento de Estado dos EUA, que anteriormente já havia aplicado a medida a 14 organizações latino-americanas, principalmente cartéis mexicanos. A situação exige uma análise cuidadosa das respostas e estratégias que o governo brasileiro adotará para mitigar os riscos associados a essa nova realidade.
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