A sensação de que o estômago não tem fundo durante os dias frios é uma reação natural do corpo humano. Para manter a temperatura interna na faixa segura de 36,5 °C, o metabolismo acelera, demandando mais energia diária e, consequentemente, aumentando a sensação de fome. É por isso que, no frio, muitas pessoas buscam pratos reconfortantes, misturando necessidades fisiológicas e oscilações emocionais que influenciam o comportamento à mesa.
Quando a temperatura cai, o corpo reage de diversas maneiras. A adaptação ao clima frio provoca uma série de mudanças no organismo, alterando os padrões de apetite e as preferências alimentares. Observa-se um aumento na busca por alimentos ricos em carboidratos e gorduras, que fornecem energia extra, e um desejo acentuado por sobremesas após as refeições ou no final da tarde. Além disso, muitos relatam que as porções habituais parecem pequenas e não satisfazem a fome, enquanto a sede diminui, confundindo desidratação leve com fome.
Esse fenômeno é explicado pela termogênese, um processo biológico no qual o corpo queima reservas calóricas para gerar calor. Com o aumento do gasto energético diário, o cérebro envia sinais de fome intensa para garantir que não faltem calorias. A influência hormonal também é significativa, especialmente em dias mais curtos e com menos luz solar, que afetam a produção de vitamina D e neurotransmissores como serotonina e dopamina. A queda desses hormônios pode levar o cérebro a buscar fontes rápidas de prazer, justificando a atração por chocolates e doces.
Para gerenciar a fome, é importante distinguir entre fome fisiológica e emocional. A fome fisiológica surge gradualmente e é acompanhada por sinais físicos, enquanto a fome emocional aparece de forma repentina e específica. Reconhecer essa diferença é fundamental para evitar excessos alimentares, especialmente durante o inverno.
Algumas estratégias práticas podem ajudar a controlar a vontade de doces, como optar por frutas assadas ou cozidas, aumentar a ingestão de proteínas nas refeições principais, incluir carboidratos complexos e preparar sopas ricas em vegetais e fibras. Também é essencial manter a hidratação, mesmo sem a sensação de sede, utilizando chás quentes para ajudar a controlar a ansiedade e os impulsos alimentares.
É verdade que a ingestão insuficiente de água no frio pode aumentar a sensação de fome. O corpo humano tende a confundir a falta de líquidos com a necessidade de comer. Portanto, beber água regularmente é uma boa estratégia para evitar episódios de gula. Além disso, a vontade de doces tende a aumentar no final do dia, quando os níveis de cortisol caem e o corpo busca recompensas rápidas após um dia cansativo.
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