O Brasil e o Suriname iniciaram negociações para ampliar o acordo comercial entre os dois países, com o objetivo de fomentar novas oportunidades de negócios. As conversações terão início no segundo semestre de 2026 e foram discutidas em um encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente surinamesa, Jennifer Geerlings-Simons, realizado em 28 de maio, em Brasília.
Durante a reunião, Lula destacou que o comércio entre Brasil e Suriname ainda é pequeno e concentrado em poucos produtos. Em 2025, o volume de negócios foi de apenas 55 milhões de dólares, o que considera irrisório para as potencialidades de ambos os países. “Nosso comércio ainda é muito pequeno e concentrado em poucos produtos. O único acordo comercial que temos é extremamente restrito. Com esta visita, conseguimos aprovar termos de referência para aumentar os fluxos entre Brasil e Suriname”, afirmou o presidente.
O comércio atual abrange principalmente maquinários, material elétrico, produtos da indústria química e commodities, sendo que quase a totalidade das exportações é brasileira. Segundo Lula, as futuras negociações têm a intenção de facilitar o comércio e incluir novos setores.
A programação da delegação surinamesa em Brasília conta com uma reunião empresarial que reunirá representantes de entidades brasileiras e empresas do setor produtivo do Suriname, abrangendo áreas como energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações.
O Suriname, nos últimos anos, descobriu grandes reservas de petróleo na Bacia da Guiana, o que promete impulsionar sua economia. Em 2024, a Petrobras e a Staatsolie, estatal surinamesa, chegaram a acordos sobre intercâmbio de petróleo e energias renováveis. Lula também mencionou o potencial do Suriname em minerais críticos, essenciais na produção de componentes eletrônicos.
“Temos a oportunidade de cooperar em mineração sustentável, industrialização local e agregação de valor, contribuindo para superar modelos históricos baseados apenas na exportação de matérias-primas”, afirmou Lula.
Outra área de cooperação discutida foi a agricultura e produção de alimentos, com Lula enfatizando que o Brasil pode auxiliar na segurança alimentar do Suriname por meio do fornecimento de carne bovina, suína e de aves, além de outros gêneros alimentícios. Durante a visita, Geerlings-Simons também conhecerá unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Embrapa) para intercâmbio sobre práticas agrícolas sustentáveis.
“Para o Suriname, baixar os custos da comida e garantir segurança alimentar permanecem algo crítico, e temos certeza que Brasil é um parceiro que podemos confiar para nos ajudar nisso”, destacou Simons.
Além disso, foram assinados 13 acordos de cooperação em áreas como segurança cibernética, combate ao tráfico de pessoas e saúde pública. Os governos também debateram a ampliação das conexões marítimas e aéreas e o projeto de integração conhecido como “Anel das Guianas”, que visa facilitar o acesso ao mercado caribenho.

Siga o Sergipe News e receba as notícias de Sergipe em primeira mão.








