O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), requisitou na última segunda-feira, 25 de maio, uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) em até cinco dias. O pedido se refere à solicitação do deputado federal Lindbergh Farias (PL-RJ) para ampliar o processo em andamento contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Farias alega a necessidade de apurar uma possível conexão entre o financiamento do filme ‘Dark Horse’, os valores tratados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, além da atuação internacional de Eduardo na campanha de sanções contra autoridades brasileiras.
No requerimento, Farias também pediu a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Flávio no inquérito, justificando a solicitação com base em indícios que ligam o senador à captação e destinação dos valores relacionados ao filme, além de apontar que o capitão da reserva seria beneficiário dos fatos investigados.
“A inclusão de Flávio e Jair Bolsonaro é essencial para a elucidação dos fatos”, afirmou Farias.
O deputado propôs ainda medidas cautelares contra Flávio, como a entrega do passaporte e a proibição de deixar o Brasil sem autorização judicial, além de impedir o contato do senador com Vorcaro. Também foi solicitado o bloqueio de bens e valores do filho mais velho de Bolsonaro e de pessoas relacionadas ao financiamento do ‘Dark Horse’.
Farias exige que sejam compartilhadas informações apuradas no inquérito contra Eduardo, além de investigar os vínculos de Flávio com o Banco Master e com pessoas ligadas ao filme. Ele pediu à Polícia Federal (PF) um relatório que correlacione os dados coletados da operação contra a instituição financeira de Vorcaro e o processo contra Eduardo.
Dentre as solicitações, Farias pediu ofícios para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central, Receita Federal e outros órgãos para identificar fluxos financeiros relacionados a Vorcaro e Flávio. Além disso, requer a avaliação de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros e contratuais relacionados ao filme e a atuação de Eduardo, além de apurações sobre possível lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular.
A crise envolvendo o dono do Banco Master ganhou destaque após a agência de notícias Intercept Brasil divulgar que Flávio teve conversas com Vorcaro para captar recursos para o filme. Em 19 de maio, o portal Metrópoles revelou que Flávio se encontrou com o banqueiro após a primeira prisão em novembro de 2025, quando foi iniciada a Operação Compliance Zero.
“Fui ao encontro dele para ‘botar um ponto final’ nessa história”, afirmou Flávio em entrevista.
Segundo a reportagem, Vorcaro se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na época) para financiar o longa, sendo que pelo menos US$ 10 milhões já teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. As mensagens divulgadas mostraram uma negociação entre Flávio e Vorcaro, com o senador cobrando o banqueiro por atrasos na produção.
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