Santos (SP) – O bispo da Diocese de Santos, Dom Joaquim Giovani Moll Guimarães, afirmou que políticos ligados a grupos religiosos da extrema direita estariam financiando campanhas de ódio contra padres identificados com posições progressistas nas redes sociais.
Segundo mensagem divulgada em grupos de WhatsApp e no Facebook do padre José Fernandes de Oliveira, conhecido como padre Zezinho, o bispo relatou que uma comissão criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vem investigando o caso. “O buraco é gigante e é fundamental que todos os padres saibam o que os espera”, escreveu Dom Joaquim.
O religioso declarou que os advogados responsáveis pela apuração devem liberar parte do inquérito em breve, revelando nomes de parlamentares, influenciadores digitais e páginas que estariam envolvidas no esquema. Ele questionou quem “assina a carteira de um influenciador para produzir vídeos de ataque a padres da mídia de esquerda” e “quem paga salários” de perfis que, segundo ele, não têm outra fonte de renda.
Dom Joaquim alertou que o financiamento desses conteúdos pode levar a punições canônicas. Citou o Código de Direito Canônico, que prevê sanções, inclusive excomunhão automática (latae sententiae), para fiéis que promovem divisão, incitam desobediência ou alimentam ódio contra a hierarquia da Igreja.
Entre os dispositivos mencionados estão o cânon 751, que define heresia, apostasia e cisma, e o cânon 1373, que trata da punição a quem suscita aversão contra a Sé Apostólica ou os bispos. O bispo reiterou que a Igreja admite críticas respeitosas, mas considera cismático o ataque público e sistemático à autoridade eclesial.
Em mensagem direcionada a padres, seminaristas e bispos, Dom Joaquim solicitou que denunciem páginas e perfis extremistas às plataformas digitais. “A situação está empurrando a Igreja para uma vala medieval”, afirmou, defendendo que a CNBB se posicione formalmente e coloque sob investigação os envolvidos, “sob pena de excomunhão”.
O bispo também informou que uma “varredura de perfis” foi encomendada para verificar eventuais vínculos dos acusados com paróquias e dioceses. “Em breve saberemos se essa gente possui paróquia, apoio paroquial e convivência dos bispos”, escreveu.
Até o momento, a CNBB não divulgou nota oficial sobre o teor das investigações mencionadas por Dom Joaquim.
Com informações de Infonet
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