Brasília – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado encerrou os trabalhos sem aprovar relatório final. Por 6 votos a 4, os senadores rejeitaram, nesta terça-feira, 14, o parecer apresentado por Alessandro Vieira (MDB-SE).
Indiciamentos contestados
No documento, Vieira sugeria o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Se aprovado, o texto poderia embasar pedidos de impeachment contra as autoridades citadas.
Mudanças de última hora
Pouco antes da votação, a composição do colegiado foi alterada. Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) assumiram as vagas de Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES). Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, tornou-se titular no lugar de Jorge Kajuru (PSB-GO). Em redes sociais, Vieira afirmou que a substituição adiou a votação para permitir a entrada de parlamentares contrários ao relatório.
Críticas dentro e fora do Senado
Durante o debate, senadores alegaram ausência de nomes ligados diretamente a organizações criminosas. Foram mencionados o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que autorizou a compra do Banco Master, e o empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição.
Do lado do Judiciário, Gilmar Mendes declarou que CPIs não têm competência para indiciar ministros do STF, classificando a iniciativa como “erro técnico” e “equívoco histórico”. André Mendonça reforçou a necessidade de respeito aos ritos legais, enquanto Dias Toffoli considerou o relatório “aventureiro” e com finalidade política. O senador Magno Malta (PL-ES), favorável ao texto, reagiu às manifestações dos ministros.
Diagnóstico do crime organizado
O parecer derrotado mapeava 90 organizações criminosas, sendo duas com atuação nacional e transnacional em 24 estados e no Distrito Federal. Entre elas estão Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando da Capital (PCC). O documento apontava que 26% do território brasileiro estariam sob influência desses grupos, afetando 28,5 milhões de pessoas. A lavagem de dinheiro foi identificada como principal fonte de sustentação, envolvendo setores como cigarro, ouro, mercado imobiliário, bebidas, fintechs, criptomoedas e fundos de investimento.
Após o resultado, Alessandro Vieira declarou que o tema “pode ser adiado, mas não evitado” e criticou pressões externas durante a votação.
Com informações de infonet.com.br
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