A produção de amendoim em Sergipe não sofre interrupção ao longo do ano graças aos seis perímetros irrigados administrados pela Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri). O sistema assegura abastecimento de água e assistência técnica, possibilitando colheitas sucessivas e geração de renda para pequenos produtores.
Colheita cresce em 2024
Entre janeiro e agosto deste ano, os perímetros Jacarecica I, em Itabaiana, e Piauí, em Lagarto, colheram 73,25 hectares de amendoim, aumento de 25,6% em relação ao mesmo período de 2024. A produção alcançou 310 toneladas de vagens para cozimento, 31% a mais, somando receita de R$ 1.752.790, incremento de 27% na comparação anual.
Em 2023, os cinco perímetros então geridos pela Coderse plantaram 169,4 hectares, resultando em 794,6 toneladas de vagens e faturamento de R$ 4.475.772,00 apenas com a cultura.
Valor agregado ao produto
O diretor de Irrigação da Coderse, Júlio Leite, explica que o incentivo ao amendoim vai além da colheita. “Grande parte da produção se destina ao amendoim cozido. Dentro dos perímetros, produtores cozinham sua própria safra e a dos vizinhos, agregando valor e aumentando a renda”, afirma. Ele destaca ainda que a leguminosa é usada como cultura de transição por fixar nutrientes no solo.
Experiências dos produtores
No Perímetro Irrigado Piauí, criado em 1987, a colheita atual movimenta propriedades familiares. Antônio Barbosa, 22 anos, administra 4,8 hectares com a família e contratou trabalhadores extras para retirar os grãos maduros. “Tudo que tenho tirei da roça. Sem o perímetro, teríamos de esperar as chuvas”, relata.
Raimundo Lisboa, conhecido como Cacá, cultiva 2,1 hectares. Após colher 237 baldes de 12 litros na última safra e lucrar cerca de R$ 2 mil, já iniciou novo plantio. “Com irrigação, planto o ano todo e não preciso alternar a terra”, diz o agricultor de 60 anos.
Francisco Saturnino dos Santos, o Chiquinho de Neusa, de 82 anos, mantém 7,5 hectares com dois filhos e calcula lucro médio de R$ 5 mil por colheita. Já Aguinobaldo José do Nascimento, o Badinho, cuida de 0,6 hectare e pretende colher em até 30 dias. “Sem irrigação só plantaríamos para colher no São João; hoje colhemos o ano inteiro”, afirma.
Infraestrutura e diversidade
Em Lagarto, o perímetro recebeu novas motobombas e outras melhorias, elevando a produção total para 11 mil toneladas em 2024. Além do amendoim, as áreas irrigadas produzem milho verde, abóbora, tomate e outras culturas.
Atualmente, a Coderse administra os perímetros Califórnia (Canindé do São Francisco), Jabiberi (Tobias Barreto), Jacarecica I (Itabaiana), Jacarecica II (Malhador, Areia Branca e Riachuelo), Piauí (Lagarto) e Poção da Ribeira (Itabaiana).
O amendoim cozido foi declarado patrimônio cultural e imaterial de Sergipe em 2021, reforçando a importância da produção contínua para a economia e a segurança alimentar do estado.
Com informações de Governo de Sergipe
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