No segundo dia do julgamento da trama golpista, com membros do núcleo 1, chamado de crucial, foi a vez dos advogados de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dos generais, Walter Braga Netto e Augusto Heleno, além do ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira, se manifestarem. Eles negaram a participação dos réus na articulação do golpe, alegaram cerceamento de defesa — sob o argumento de que não houve tempo hábil para analisar o grande volume de material apreendido pela Polícia Federal (PF) — e questionaram a validade da delação premiada de Mauro Cid, considerada um dos pilares da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
REPORTAGEM
2º dia Julgamento Bolsonaro: defesas atacam delação de Cid e negam golpe
Defesas exploram fragilidades da acusação, criticam Cid e minimizam minuta do golpe, maior prova contra Bolsonaro
No segundo dia do julgamento da trama golpista, com membros do núcleo 1, chamado de crucial, foi a vez dos advogados de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dos generais, Walter Braga Netto e Augusto Heleno, além do ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira, se manifestarem. Eles negaram a participação dos réus na articulação do golpe, alegaram cerceamento de defesa — sob o argumento de que não houve tempo hábil para analisar o grande volume de material apreendido pela Polícia Federal (PF) — e questionaram a validade da delação premiada de Mauro Cid, considerada um dos pilares da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Advogado de Augusto Heleno: 107 slides com os pontos da defesa
O primeiro a fazer a sustentação oral foi o advogado Matheus Mayer Milanez, que representa Heleno. Milanez destacou que o general, que foi ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo de Bolsonaro, se afastou do ex-presidente no final do governo e, por esse motivo, nunca teria conversado com Bolsonaro sobre qualquer tentativa de golpe. “Quando o presidente Bolsonaro se aproxima dos partidos do Centrão e tem sua filiação ao PL, inicia-se sim um afastamento da cúpula do poder”, ressaltou, apresentando ainda depoimentos de servidores do GSI e reportagens veiculadas na imprensa para corroborar com a tese.
O advogado também atacou a conduta do relator da ação penal, o ministro Alexandre de Moraes, e apresentou o número de perguntas no interrogatório. Segundo ele, Moraes formulou 302 indagações, enquanto a PGR apresentou 59. “Temos um fato curioso. Uma das testemunhas, o senhor Evaldo de Oliveira Aires, foi indagado pelo ministro relator sobre uma publicação feita em redes sociais que sequer consta dos autos. Ou seja, temos uma postura ativa do ministro relator de investigar testemunhas. Por que o Ministério Público não fez isso? Qual é o papel do juiz? É julgador ou inquisidor? O juiz não pode, em hipótese alguma, se tornar o protagonista do processo”, pontuou.
Ao longo de sua sustentação, Milanez ainda contestou o uso, como prova, de uma agenda com a logomarca da Caixa Econômica Federal apreendida pela PF na casa do general Heleno. Segundo a PGR, o caderno continha anotações manuscritas que demonstrariam o planejamento da organização criminosa para questionar o sistema eleitoral e propondo que a Advocacia-Geral da União fizesse um parecer que desse respaldo ao descumprimento de ordens judiciais. Milanez rebateu: “O caderno era apenas um apoio à memória do general Heleno. Não há qualquer prova de que seu conteúdo tenha sido compartilhado com terceiros ou usado como base para qualquer ação prática.”
Enquanto Milanez questionava e tentava desacreditar as provas apresentadas pela PGR contra seu cliente, o subprocurador-geral da República, Paulo Vasconcelos Jacobina, que acompanhava a sessão, mantinha um leve e contido sorriso no rosto. Ao longo de sua sustentação, Milanez apresentou 107 slides de PowerPoint com os pontos da defesa. Diante da surpresa dos jornalistas com o volume de material usado na exposição, ele disse que o fato de ser professor o ajuda a organizar e sintetizar grandes quantidades de informação.
Edição: Thiago Domenici
Siga o Sergipe News e receba as notícias de Sergipe em primeira mão.








