Rio de Janeiro – Cantor de enorme popularidade nas décadas de 1960 e 1970, Wilson Simonal viveu ascensão meteórica e ostracismo repentino em meio à Ditadura Militar (1964-1985). Nascido em 23 de fevereiro de 1938, no Rio de Janeiro, e morto em 25 de junho de 2000, o artista reuniu sucessos de massa, aproximou-se de órgãos oficiais do regime e, em 1971, passou a ser apontado como colaborador do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), fato que marcou o declínio de sua carreira.
Fenômeno de público
Negro, carismático e com presença de palco marcante, Simonal rompeu barreiras na indústria cultural brasileira. O ponto alto de sua fama ocorreu em 1969, quando, no Maracanãzinho, comandou cerca de 30 mil pessoas entoando “Meu Limão, Meu Limoeiro”. Entre suas canções de maior repercussão estão “País Tropical”, “Sá Marina” e “Nem Vem Que Não Tem”, que mesclaram samba, soul, jazz e pop no estilo que ficou conhecido como pilantragem.
Contexto político
O auge do cantor coincidiu com os chamados anos de chumbo (1968-1974). Enquanto o governo divulgava mensagens ufanistas, como o slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”, reforçava-se uma estrutura de censura, perseguição e tortura a opositores. Diferentemente de colegas que adotaram postura de confronto, Simonal manteve proximidade com veículos de comunicação alinhados ao regime.
Acusação e queda
Em 1971, após disputa com o ex-contador de sua empresa, Simonal requisitou a intervenção de agentes do DOPS. O funcionário foi detido e torturado, comprovado por exame de corpo de delito. A denúncia inicial acabou reclassificada, mas o episódio gerou repercussão negativa: o cantor foi afastado de programas de TV, teve shows cancelados e enfrentou veto velado de emissoras, mergulhando em rápido ostracismo.
Contradições
A carreira de Simonal apresenta ambiguidades. Em 1967, ele lançou “Tributo a Martin Luther King”, uma das primeiras músicas brasileiras a abordar diretamente a luta negra, em contraste com a imagem de colaborador do regime que marcaria seu nome anos depois.
Do estrelato nos palcos ao isolamento imposto por suspeitas de colaboração com a repressão, Wilson Simonal tornou-se símbolo das complexidades políticas, culturais e raciais do período ditatorial brasileiro.
Com informações de Portal Infonet
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