Monte Alegre de Sergipe, 18 de junho de 2025 A precariedade das escolas públicas de Monte Alegre voltou a ganhar os holofotes desta vez, pelas piores razões. O município foi incluído em uma força-tarefa do Ministério Público de Sergipe (MPSE) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE), que revelou um cenário alarmante: falta de água potável, ausência de esgotamento sanitário, banheiros em péssimo estado e fossas improvisadas ainda fazem parte da rotina de estudantes monte-alegrenses em pleno 2025.
A ação faz parte do projeto nacional “Sede de Aprender”, que visa garantir o mínimo de dignidade para estudantes da rede pública. A inspeção ocorreu entre os dias 2 e 6 de junho e colocou Monte Alegre entre os 13 municípios sergipanos com os piores indicadores de infraestrutura nas escolas, segundo o Painel BI do CNMP.
Como é possível ensinar dignidade em escolas onde sequer há água potável para beber ou um banheiro decente para usar?
Enquanto gestores públicos locais promovem discursos e eventos, as escolas especialmente nas comunidades rurais seguem esquecidas. Alunos estudam sob condições insalubres, professores enfrentam estruturas mínimas de trabalho e famílias assistem, dia após dia, à violação dos direitos mais básicos das crianças: o de aprender com dignidade, o de estudar em segurança.
Segundo o relatório da fiscalização, as irregularidades encontradas em Monte Alegre são gritantes:
• Escolas sem abastecimento de água tratada;
• Sanitários quebrados ou inexistentes;
• Fossa séptica improvisada e exposta;
• Estruturas comprometidas pela negligência contínua.
Apesar das inúmeras promessas feitas por gestões passadas e atuais, nada mudou na prática. O que se vê é a repetição de um velho ciclo de abandono, onde o discurso político não se converte em ações reais para melhorar a vida de quem mais precisa.
Diante do relatório, o Ministério Público já instaurou procedimentos administrativos no município. Mas a pergunta que ecoa nas ruas de Monte Alegre é: será que agora, com o constrangimento público estampado nos relatórios oficiais, os gestores tomarão vergonha e farão o que precisa ser feito?
A população espera, mas também se cansa. Pais de alunos cobram respeito, professores exigem condições de trabalho, e os estudantes, que deveriam estar focados em aprender, são obrigados a conviver com a indignidade todos os dias. A omissão da gestão municipal não pode mais ser tolerada.
É hora de responsabilizar quem teve tempo, recursos e poder para mudar essa realidade mas preferiu ignorar.
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