Projeto do Parfor Equidade prepara professores para atuar em comunidades quilombolas de Sergipe. A iniciativa une gestão, ensino e valorização dos saberes tradicionais.
A formação de professores que compreendem a realidade das comunidades quilombolas é essencial para fortalecer a educação, preservar saberes tradicionais e ampliar o acesso ao ensino superior. A Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe (Fapese), em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), administra o projeto Licenciatura em Educação Escolar Quilombola, que faz parte do Programa Nacional de Fomento à Equidade na Formação de Professores da Educação Básica (Parfor Equidade).
Com a gestão administrativa e financeira do projeto, a Fapese contribui para atender a uma demanda histórica das comunidades quilombolas sergipanas por uma formação específica para educadores que atuam nesses territórios. O curso não apenas amplia o acesso ao ensino superior, mas também busca promover uma educação que valoriza a identidade, a ancestralidade e os saberes tradicionais.
“Esse projeto nasce do anseio das comunidades quilombolas do Brasil e, de forma particular, das comunidades quilombolas de Sergipe. Há muito tempo elas demandam a formação de professores e professoras para atuar nessas escolas”, explica a coordenadora da licenciatura, professora Edineia Tavares Lopes.
A professora Edineia destaca que, em 2019, o Fórum de Educação Escolar Quilombola de Sergipe apresentou a criação de uma formação inicial voltada à Educação Escolar Quilombola como uma das principais reivindicações. Em 2023, o edital do Parfor Equidade foi publicado pelo MEC, possibilitando a submissão de um projeto para criar essa licenciatura.
“Escrevemos a proposta, fomos contemplados e o curso passou a integrar a estrutura da universidade”, destaca Edineia.
A formação foi elaborada com uma perspectiva pedagógica antirracista, intercultural e interdisciplinar, utilizando a pedagogia da alternância, que intercala períodos de formação intensiva na universidade com atividades nas comunidades.
“No tempo da universidade, os estudantes permanecem aqui estudando os componentes curriculares. Já no tempo comunidade, desenvolvem atividades vinculadas às suas escolas e aos seus territórios”, explica Edineia.
A proposta visa romper com o modelo de ensino tradicional que não atendia as especificidades das comunidades quilombolas. A professora Daniela Melo, quilombola e docente da licenciatura, enfatiza que o curso valoriza os saberes das comunidades.
“A gente trabalha os costumes, as tradições, a ancestralidade, os conceitos de raça, cultura, pluralidade e etnia. Essa é a diferença entre uma educação tradicional e uma educação escolar quilombola”, afirma Daniela.
O estudante Mário Santos, do Quilombo Mocambo, ressalta que a licenciatura oferece a oportunidade de devolver conhecimentos às comunidades. Ele acredita que essa formação é fundamental para enfrentar o apagamento histórico vivido pela população negra.
“Estamos mais empoderados para devolver à nossa comunidade aquilo que aprendemos aqui”, afirma Mário.
A estudante Xifroneze Santos, do Quilombo Caraíbas, também define sua participação como um marco histórico e acredita que a formação vai unir as comunidades em torno de suas histórias e lutas.
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