O menor estado do país dedica o dia 24 de outubro para enaltecer a própria identidade. No Dia da Sergipanidade, moradores de todas as regiões de Sergipe destacam o valor de expressões culturais que vão do artesanato às festas populares, passando pela culinária e pela música.
Mercados de Aracaju respiram cultura
Nos Mercados Municipais da capital, cada box guarda parte dessa história. O cordelista Joel Santana Cabral, 51 anos, vende folhetos que herdou do pai. “Sergipanidade é o nosso povo guerreiro, trabalhador, que valoriza a cultura; o cordel faz parte disso”, comenta.
A artesã Maria Edelzuita, 73, trabalha há 61 anos no mercado Thales Ferraz. Além de clientes locais, ela recebe turistas diariamente. “Outro dia, um brasiliense voltou para me agradecer por ter ajudado a encontrar a filha dele há oito anos”, recorda.
Ofícios passados de geração em geração
No mesmo centro comercial, a comerciante Nathalie Cardoso, 41, vende sandálias de couro herdadas da mãe. “Muitos visitantes já chegam procurando a priquitinha; alguns estranham o cheiro forte do couro cru, mas sabem que é parte da nossa cultura”, afirma.
Há 48 anos atrás de um balcão de castanhas de caju, Claudice Cavalcante, 70, agradece a clientela diversificada. “Recebemos pessoas de dentro e fora de Sergipe. É gratificante fazer parte dessa história”, diz.
Sabores que contam histórias
Em São Cristóvão, quarta cidade mais antiga do Brasil, Dona Marieta Santos, 81, mantém viva a receita de queijadinha criada por sua bisavó. “Na senzala não havia os mesmos ingredientes europeus; ela adaptou e eu continuo a tradição. Sergipanidade é essa superação”, ressalta.
Festas que simbolizam resistência
Desde 1860, Laranjeiras encena a batalha entre Lambe-Sujos e Caboclinhos, representação da luta de negros e indígenas. Cobertos por calda de mel de cabaú com pó xadrez preto, gorros e shorts vermelhos, os participantes percorrem as ruas até o confronto com os Caboclinhos. “Essa festa é nossa identidade viva”, defende Ruston Zuzart, o “príncipe” dos Lambe-Sujos.
Renda irlandesa ultrapassa fronteiras
Em Divina Pastora, rendeiras preservam há séculos a técnica da renda irlandesa, Patrimônio Imaterial do Brasil desde 2009. Maria José Souza, vice-presidente da Asderen, destaca que o ofício sustenta famílias e autoestima. Convidadas para expor na cidade francesa de Le Puy-en-Velay em 2025, as artesãs participaram, ao longo deste ano, de eventos como Abav Expo, Fenearte e WTM Latin America, onde conquistaram o 3º lugar em vendas.
Identidades em movimento
Para a pesquisadora Maria Augusta Mundim, da Universidade Federal de Sergipe, a sergipanidade é plural. “Ela se manifesta em gestos, sons, cores e celebrações. São múltiplas sergipanidades que se revelam e se transformam o tempo todo”, observa.
Entre cordéis, rendas, doces e encenações históricas, os sergipanos utilizam o 24 de outubro para reafirmar um sentimento coletivo construído ao longo de gerações.
Com informações de Governo de Sergipe
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