O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) voltou ao centro do noticiário político após apresentar, como relator da CPI do Crime Organizado, um parecer que solicita o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Relatório contestado
No documento final, o parlamentar sustenta que as quatro autoridades teriam atuado de forma irregular em decisões judiciais relacionadas a investigações de organizações criminosas. A medida provocou reação imediata de juristas, congressistas e membros do Judiciário, que veem falta de base legal na iniciativa.
Repercussão nacional
Em entrevistas e artigos, analistas classificaram o pedido de indiciamento como “absurdo” e acusaram a CPI de se afastar do objetivo original de investigar facções como PCC e Comando Vermelho. O jornalista Octavio Guedes, por exemplo, afirmou que o uso da comissão “apenas com discurso” para atingir magistrados representa “um dia triste para a República”.
O ministro Gilmar Mendes reagiu em tom irônico, dizendo “adoro ser desafiado” e que “assombração aparece para quem acredita”.
Trajetória política
Delegado de polícia de carreira, Alessandro Vieira foi eleito senador em 2018 na condição de outsider, apoiado pelo discurso anticorrupção que ganhou força após a Operação Lava Jato. Nos primeiros anos de mandato, afastou-se do então presidente Jair Bolsonaro e passou a fazer oposição ao governo federal.
O parlamentar ganhou visibilidade em CPIs no Congresso, mas enfrentou dificuldades para consolidar alianças locais em Sergipe. À medida que se aproximam as próximas eleições, analistas apontam que o senador passou a depender das atividades parlamentares de investigação para manter espaço no debate público.
Críticos argumentam que, ao focar em magistrados e no procurador-geral, a CPI terminou sem propor indiciamentos de líderes do crime organizado, alvo inicial da investigação. Já aliados de Vieira defendem que as conclusões do relatório atendem ao princípio de “responsabilização de todas as autoridades” envolvidas em decisões que favoreçam organizações criminosas.
O parecer final ainda precisa ser votado na comissão para, depois, seguir ou não ao Ministério Público, que decidirá sobre a abertura de eventuais processos.
Com informações de Portal Infonet
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