O sergipano João de Seixas Dória, nascido em 23 de fevereiro de 1917, em Propriá, e morto em 31 de janeiro de 2012, ficou conhecido pela firme defesa de reformas sociais e pela resistência ao regime militar instaurado em 1964.
Orador de destaque no comício da Central do Brasil
Em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, o então ex-governador de Sergipe foi um dos principais oradores do comício da Central do Brasil, ao lado do presidente João Goulart, Leonel Brizola, Miguel Arraes e José Serra. Segundo relatos, a multidão de cerca de 200 mil pessoas recebeu suas palavras com entusiasmo, e o próprio Seixas Dória considerava ter sido o mais aplaudido da noite.
Cassação e prisão
Dois dias após o golpe de 31 de março, os mandatos de Seixas Dória e de Miguel Arraes foram cassados. Arraes foi preso em 1º de abril e enviado a Fernando de Noronha. Seixas Dória foi detido na madrugada de 2 de abril, levado ao 29º Batalhão de Caçadores, em Salvador, onde permaneceu sete dias, e depois também transferido para o arquipélago. O Exército chegou a oferecer sua recondução ao governo sergipano caso assinasse manifesto de apoio ao novo regime, proposta rejeitada.
Convivência com Arraes e produção literária
Durante cerca de quatro meses em Fernando de Noronha, leu jornais como Última Hora e Correio da Manhã e começou a escrever os depoimentos que resultaram no livro Eu, réu sem crime. Lançada em 22 de dezembro de 1964, a obra se transformou em best-seller: a livraria Entrelivros, no Edifício Avenida Central, vendeu 2.432 exemplares na noite de autógrafos — número que o autor estimava em mais de 5 mil.
Rapto e reaparecimento
Antes de ser libertado, Seixas Dória foi retirado de Fernando de Noronha por um grupo radical do Exército e levado novamente à Bahia, sem comunicação com a família. Depois de pressão de imprensa e políticos, o general Ernesto Geisel foi designado para confirmar que o ex-governador permanecia vivo no 19º BC.
Evento de 2004
Quarenta anos após o golpe, em março de 2004, Seixas Dória e Miguel Arraes participaram de seminário na Fundação Joaquim Nabuco, no Recife. Na ocasião, o sergipano definiu o movimento de 1964 como “revolta” — e não “revolução” — e criticou o descaso histórico do país com o Nordeste.
Erro não corrigido
Anos antes de sua morte, a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, publicou que, após o falecimento de Miguel Arraes em 2005, José Serra seria o único sobrevivente entre os oradores do comício de 1964. A informação era incorreta, pois Seixas Dória ainda vivia, então com 88 anos. O jornal não publicou correção.
Com informações de Infonet
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