Na manhã desta terça-feira, 4 de novembro de 2025, o professor doutor Miburge Bolívar Góis Júnior, do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), utilizou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Aracaju para apresentar o Projeto Freando a Curva, dedicado à prevenção e ao tratamento de doenças deformantes da coluna vertebral em crianças e adolescentes.
Implantada em 2015 no Laboratório de Controle Motor e Equilíbrio Postural da UFS, a iniciativa integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde e atua nos eixos de ensino, pesquisa e extensão. O professor informou que o ambulatório especializado já atendeu mais de 200 crianças em Sergipe e, atualmente, acompanha cerca de 20 pacientes com escoliose às segundas-feiras, no Centro de Especialidade Nível 4 (CER-IV), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde.
Entre as ações desenvolvidas estão palestras educativas, prescrição de coletes e órteses, além de encaminhamentos cirúrgicos ao Hospital Cirurgia. O trabalho foi reconhecido pelo Ministério da Saúde, que concedeu ao laboratório o título de Melhor Ambulatório de Tratamento de Escoliose do Brasil pela qualidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Nova etapa e números preocupantes
Góis Júnior anunciou a formação de uma rede colaborativa que reunirá UFS, Ministério Público de Sergipe, secretarias estadual e municipais de Saúde e Educação, Sociedade Sergipana de Pediatria, Federação dos Estabelecimentos Particulares de Ensino e Hospital Cirurgia. Segundo o docente, levantamento preliminar de pós-graduandos identificou 7.326 crianças subnotificadas com problemas graves de coluna no estado, reforçando a necessidade de ampliar o rastreio precoce.
A partir de 2026, uma cartilha educativa será distribuída em todas as escolas públicas e privadas de Sergipe, orientando sobre postura correta, uso de celular, formas de se deitar e sentar e outras medidas preventivas.
Impacto financeiro e apoio parlamentar
Durante a exposição, o professor lembrou que uma cirurgia de coluna pode custar entre R$ 80 mil e R$ 120 mil, valor que poderia ser evitado com ações preventivas. O presidente da Casa, vereador Ricardo Vasconcelos (PSD), elogiou a contribuição da UFS, enquanto a vereadora Sonia Meire (PSOL) defendeu a inclusão do tema no Plano Municipal da Primeira Infância.
O vereador Pastor Diego (União Brasil) afirmou que buscará diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde para fortalecer a identificação precoce dos casos, e Lúcio Flávio (PL) propôs uma audiência pública sobre o assunto.
Bullying e próximas ações
Ao encerrar, Góis Júnior relatou que oito crianças atendidas no ambulatório sofreram bullying por usar coletes ortopédicos ou apresentarem alterações posturais. Ele informou que já existe agenda para levar palestras de conscientização a 26 escolas públicas e 32 particulares, envolvendo estudantes, professores e famílias.
Com informações de Câmara Municipal de Aracaju
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