O recente anúncio dos Estados Unidos, que classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, ocorreu apenas dois dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca. Essa coincidência chamou a atenção nos bastidores do Palácio do Planalto.
Fontes dentro do Partido dos Trabalhadores (PT), que possuem influência significativa no governo, interpretam que essa decisão já era esperada. O entendimento é que a imagem de Lula ao lado de Trump foi impactante. O encontro, que incluiu um almoço e uma reunião de quase três horas, resultou em uma foto marcante. Assim, muitos acreditam que Washington precisava compensar esse gesto com um sinal ao bolsonarismo.
Nos bastidores, algumas figuras ligadas ao governo não descartam a possibilidade de que a família Bolsonaro tenha exercido alguma influência sobre a decisão, fazendo com que o secretário de Estado Marco Rubio adotasse essa classificação. Embora essa informação não seja confirmada publicamente, a especulação persiste.
Entretanto, nas redes sociais, o discurso é diferente. A ala governista tem criticado severamente a agenda de Flávio na Casa Branca e minimizado a importância do encontro com Trump. O principal argumento utilizado pelos aliados do governo é a foto divulgada após a reunião, na qual Trump aparece sentado enquanto Flávio foi fotografado ao seu lado. Para o Planalto, esse gesto simboliza o verdadeiro peso da reunião.
Apesar das críticas e tentativas de minimizar a situação, a classificação das facções como organizações terroristas já foi feita. Agora, o governo terá que enfrentar as consequências de uma decisão que optou por desconsiderar publicamente, mas que certamente terá reflexos na política brasileira.



