A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) alterou até a forma como o Natal era apresentado ao público. Propagandas veiculadas nas revistas norte-americanas Life e brasileira Revista da Semana exibiram um Papai Noel adaptado ao clima bélico, refletindo a mobilização de Estados Unidos e Brasil no conflito.
Estados Unidos: mudança após Pearl Harbor
Lançada em novembro de 1936, a revista Life priorizava a narrativa visual por meio de fotorreportagens. Em 1939, o posicionamento editorial sobre a guerra ainda era difuso, mas ganhou clareza em 1940, quando a publicação passou a preparar a opinião pública para a entrada no confronto e a escolher lados. O ataque japonês a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, levou o país diretamente ao front e unificou o discurso contra o Eixo.
Nas edições seguintes, o tom militar ganhou espaço também nos anúncios natalinos. Em dezembro de 1942, a propaganda dos cigarros Chesterfield mostrava o “bom velhinho” com o tradicional traje vermelho e branco, mas usando capacete de soldado. No mesmo mês, a marca de meias Inter Woven apresentou Noel estrangulando Adolf Hitler com a mão direita, pisando Benito Mussolini com o pé direito e capturando Hirohito com a esquerda (edição de 11/12/1944, p. 83). Já a Whitman’s Chocolates divulgou que “milhões de caixas” haviam sido enviadas às tropas, ilustrando a peça com uma jovem em roupas natalinas segurando uma máscara de Papai Noel.
Brasil: virada após ataques no litoral
No Rio de Janeiro, a Revista da Semana circulou entre 1900 e 1959 como publicação ilustrada de variedades. No início do conflito, mantinha tom contrário à guerra e mensagens de esperança. A postura mudou após 22 de agosto de 1942, quando o submarino alemão U-507 torpedeou embarcações brasileiras no Atlântico, matando mais de 600 pessoas nos litorais de Sergipe e Bahia e precipitando a entrada oficial do Brasil na guerra.
Na edição de 19 de dezembro de 1942 (p. 26), o periódico publicou o anúncio “O conselho do Papai Noel”. O personagem aparecia com presentes nas mãos, mas apontava para uma caderneta de poupança da Caixa Econômica Federal. A mensagem instruía os pais a abrirem contas para os filhos, associando economizar à contribuição para a vitória no front interno.
Os exemplos revelam como o maior conflito do século XX permeou o cotidiano e a publicidade de países envolvidos direta ou indiretamente. Nem mesmo a imagem simbólica do Papai Noel escapou da mobilização em torno da guerra.
Com informações de Portal Infonet
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