
ACORDO DO GRUPO BOMFIM MARCA UM NOVO TEMPO NO TRANSPORTE COLETIVO
Isso depois que o Poder Público Estadual, Municipal e a Justiça do Trabalho destruíram o segmento em Sergipe

O acordo firmado na última sexta-feira entre o Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT-SE), representado pelo juiz Fabrício de Amorim Fernandes e o Grupo Bomfim, liderado pela Empresa Senhor do Bomfim e outras empresas, representado pela senhora Gilza Maria Teixeira Menezes, marca um novo tempo no tocante ao transporte coletivo no estado de Sergipe e no país. Afinal, o acordo histórico vai beneficiar diretamente inúmeros trabalhadores da empresa cujo montante atinge a cifra de R$ 51.263.465, 41.

Na verdade, o acordo teve como objetivo a quitação do passivo trabalhista consolidado referente às execuções reunidas contra as empresas do Grupo Bomfim. O pagamento abrangerá a totalidade dos créditos trabalhistas, devidamente atualizados, além dos honorários periciais e advocatícios sucumbenciais deferidos em cada processo, que também serão pagos integralmente. Para a amortização do débito, foi autorizada a alienação, por iniciativa do executado, dos bens relacionados no processo.

O magistrado Fabricio de Amorim Fernandes ressaltou que o acordo representa o encerramento de um capítulo importante que se arrastava há vários anos no TRT-SE. “Foi estabelecido um prazo final até janeiro de 2026 para a quitação integral dos créditos trabalhistas. Para quem aguardava há tanto tempo, são apenas mais alguns meses de espera, mas agora com a tranquilidade de saber que seus direitos serão finalmente satisfeitos até o início do próximo ano”, explicou o juiz.
Para as partes interessadas, a conciliação é uma conquista histórica e muito aguardada por todos. O acordo foi considerado uma verdadeira vitória e um grande alento para a categoria dos rodoviários e para as empresas.
A VERDADEIRA HISTÓRIA – Na verdade, esse acordo é mais um capítulo da história envolvendo o transporte público em Sergipe, cujo episódio mais importante e doloroso aconteceu no ano de 2003, quando a maioria das empresas não só de Sergipe, mas do país sucumbiram, a exemplo da Viação Itapemirim, da São Geraldo, e muitas outras de porte grande que contribuíram muito para o desenvolvimento das regiões porque elas e várias outras foram as verdadeiras “desbravadoras” do país e ajudaram no crescimento da Nação.
É preciso ressaltar, e a história registra isso, que a política contribuiu para o desastre do transporte público porque existia regulamentação do setor, respeito, fiscalização, isso até 1988 quando veio a nova Constituição. A partir daí aconteceu o relaxamento do Poder Público na fiscalização do transporte regular e, com isso, dando chances para a abertura da clandestinidade, ou seja, o transporte irregular foi um dos responsáveis diretos pelo colapso no transporte público.
E esse fato, que comprovadamente aconteceu em Sergipe, por ser o menor estado da federação, foi um dos mais afetados com esse grave problema. Em resumo, todas as empresas de transporte de Sergipe sofreram muito e até hoje existem reflexos, a exemplo da paralisação em junho de 2025 da empresa Progresso.
Na verdade, algumas empresas conseguiram sobreviver ao caos absoluto até o ano de 2003, portanto uma década em meia. É preciso destacar que o verdadeiro colapso no transporte intermunicipal começou nos anos de 1995 e 1996 com a chegada das famosas “topics”, quando o governo “fechou os olhos”, deixou elas entrarem e destruir as empresas de ônibus. Em 2003, como conseqüência, várias empresas fecharam as portas como a Graças, ETT, a Fátima, enfim, todas simplesmente foram embora.
Sobraram poucas empresas da Bomfim tocando as atividades para paralisar definitivamente em 2013 e 2014, período em que as últimas empresas fecharam suas portas, restando apenas a Progresso que também sucumbiu agora em 2025. Essa sobrevivência da Progresso se deve ao fato dela ter as melhores linhas dentro de Aracaju, onde não funcionavam muitos clandestinos, mas mesmo assim não suportou o desequilíbrio econômico e financeiro provocado dentro do sistema de transporte.
A REALIDADE DE HOJE – Comprovadamente nos dias atuais, em Sergipe não tem uma empresa de ônibus intermunicipal transportando pessoas, o que tem é cooperativa, táxi-fretamento, táxi-lotação. Ou seja, o setor público pode ser considerado o principal responsável pelo desastre total do transporte coletivo por ônibus.
Leve-se em consideração que era o setor público que mudava as tarifas e fazia politicagem. Em resumo, no momento atual em Sergipe não tem empresa nenhuma operando, a não ser cooperativas, a exemplo da Coopertalse.
Em resumo, é preciso deixar claro que o segmento de transporte é guerreiro, veio para poder ajudar no desenvolvimento de Sergipe e do país, passou por todos os caminhos da clandestinidade e sucumbiu também por conta das leis trabalhistas que danificaram e corroeram as empresas de transporte, especialmente no estado de Sergipe.
Basta tomar como referência o caso do Grupo Bomfim que depois de passar pelo dissabor da clandestinidade e das expropriações patrimoniais de valores 100 vezes maiores que os débitos trabalhistas, a empresa Bomfim, mesmo assim, resolveu liquidar o problema fazendo um acordo com o TRT-SE. Apesar de todas as sequelas, a direção do Grupo Bomfim tomou essa decisão, que já era pensada, mas que encontrou muitas dificuldades para realizar na prática, o que enfim buscou um caminho para concretizar.
E porque Sergipe pode ser um exemplo negativo para o Brasil? De modo especial por causa da não fiscalização do clandestino pelo Poder Público que gerou mais de 10 mil desempregos dos trabalhadores do segmento do transporte intermunicipal por ônibus e sucumbiu todas as empresas e, como conseqüência, até hoje não tem uma empresa de ônibus operando em mais de 70 municípios do estado de Sergipe. É uma tristeza, mas é uma realidade.
Finalmente, destacamos que duas das melhores empresas do segmento de transporte do Brasil que foram destruídas em Sergipe, a Bomfim e a Nossa Senhora de Fátima, inclusive reconhecidas internacionalmente pelos seus serviços prestados, tendo uma das primeiras salas vips do Brasil, serviço de informática de passagens há 3 décadas atrás, wifi nos ônibus, enfim tudo de moderno à serviço dos clientes. Ou seja, tudo mostra a qualificação dessas empresas sergipanas, exemplos para o país.
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