A recente nomeação do novo desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ/SE), na vaga destinada à advocacia pelo Quinto Constitucional, marca a conclusão de um processo eletivo significativo. Essa escolha institucional visa construir uma Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Sergipe (OAB/SE) mais democrática, inclusiva e representativa da advocacia e da sociedade sergipanas.
A indicação do advogado e professor Kleidson Nascimento reflete a essência desse processo democrático e inclusivo. Desde a elaboração da lista sêxtupla, a OAB/SE priorizou a ampliação da representatividade, com 5% das vagas destinadas a advogados com deficiência, paridade de gênero de 50% e uma representatividade racial de 30%. Essas medidas são resultado de um compromisso com a legitimidade institucional e a implementação de políticas afirmativas no país.
Durante todo o processo, a OAB/SE enfrentou diversas resistências e ações judiciais que buscavam interromper essa agenda. Entretanto, o voto secreto, seguro e auditável da advocacia, combinado com os critérios afirmativos, demonstrou que inclusão e técnica podem coexistir, resultando em mudanças significativas no sistema.
“A democracia só é plena quando abre espaço real para a diversidade da sociedade que pretende representar”, afirmou um representante da OAB/SE.
A cultura institucional de inclusão não se restringe ao Quinto Constitucional. A atual diretoria da OAB/SE destaca-se pela presença feminina em posições de liderança, com Edênia Mendonça na vice-presidência e Andrea Leite na Secretaria-geral. A ascensão de Rose Morais à Secretaria-geral do Conselho Federal da OAB, como a primeira mulher nordestina nesse cargo, projeta Sergipe na agenda institucional nacional e reforça a relevância da participação feminina na advocacia.
No âmbito racial, Sergipe tem avançado em espaços estratégicos. A conselheira federal Clara Arlene, ao assumir a presidência da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade Racial do CFOAB, representa um compromisso contínuo com a dignidade humana e o enfrentamento do racismo.
Em 2026, a OAB/SE consolidou uma política de equidade de gênero por meio da Resolução nº 04/2026, focada na promoção da equidade e no fortalecimento da atuação feminina na advocacia. A campanha “Advocacia por Elas” percorreu as regionais do estado com ações voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
O processo de nomeação do novo desembargador não apenas encerra uma disputa democrática, mas também celebra uma conquista coletiva da advocacia sergipana. Essa vitória simboliza a maturidade da classe em optar por um processo aberto e inclusivo, representando a luta por espaço de mulheres, pessoas pretas e com deficiência nos locais de decisão. A OAB/SE reafirma seu compromisso em construir um futuro mais justo e igualitário.
Fonte: OAB Sergipe
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