O Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, está investigando seis fintechs suspeitas de estarem ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de fraudes no setor de combustíveis. A operação, denominada Fluxo Oculto, foi deflagrada na quarta-feira, 28 de maio de 2026.
De acordo com as informações apuradas, uma das fintechs investigadas movimentou cerca de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024. No total, as fintechs teriam operado aproximadamente R$ 26 bilhões nos últimos quatro anos. Essa quantia expressiva chamou a atenção dos órgãos investigativos.
Os promotores afirmam que essas fintechs integravam a estrutura financeira utilizada pelo PCC para movimentar e ocultar recursos. O grupo operava um sistema de “dupla camada de ocultação” do dinheiro, o que dificultava a identificação das transações fraudulentas.
Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os suspeitos direcionavam os recursos a quatro fundos de investimento, que acumularam R$ 205 milhões em ativos. A operação também atingiu duas administradoras e duas gestoras de fundos associados ao esquema criminoso.
A Receita Federal destacou que, até 2025, a obrigatoriedade de envio da e-Financeira, que deve registrar as movimentações financeiras de clientes, não se aplicava às instituições de pagamento, o que dificultou o rastreamento das operações realizadas por essas fintechs.
No decorrer da Operação Fluxo Oculto, três das seis fintechs alvo da investigação apresentaram a documentação solicitada, informando cerca de R$ 8 bilhões em movimentações financeiras em 2025. As outras três fintechs foram autuadas por não entregarem a declaração necessária.
Ao todo, a operação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados do Brasil. Entre os principais alvos estão empresas localizadas em regiões de destaque, como Faria Lima, Itaim Bibi e Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo a Promotoria, essas fintechs eram utilizadas para compensações financeiras entre distribuidoras de combustíveis e postos, além de movimentações entre empresas e fundos administrados pela organização criminosa.

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