Rio de Janeiro – A ofensiva policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em 121 mortes, reabriu a discussão sobre a eficácia das políticas de segurança pública e o avanço das facções criminosas no país.
Facções atuam em todo o território nacional
Organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio, estão estruturadas no modelo de máfia e expandiram suas atividades para além das fronteiras brasileiras. As duas facções mantêm, no momento, uma trégua que facilita lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e aquisição de armamento pesado.
Segundo a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, o PCC já atua na região da Avenida Faria Lima, centro financeiro paulistano. Os grupos também diversificaram negócios, controlando desde bebidas e combustíveis adulterados até garimpo ilegal de ouro e tráfico de animais silvestres.
Pesquisadores contestam termo “narco-estado”
Para os pesquisadores Eduardo Armando Medina Dyna e Vinicius Pereira de Figueiredo, ligados à Universidade Estadual Paulista (Unesp), PCC e CV não buscam substituir o Estado, mas manter relação parasitária com ele. Os especialistas rejeitam a classificação do Brasil como “narco-estado”.
Pressão internacional para classificar facções como terroristas
Reportagem de Jamil Chade informa que o governo dos Estados Unidos pretende usar a Cúpula das Américas, marcada para dezembro, para estimular países latino-americanos a rotular organizações criminosas como terroristas. Governadores alinhados ao chamado “consórcio da paz” já difundem a expressão “narcoterroristas”.
Avaliação popular da operação
Levantamento Datafolha aponta que 57 % dos moradores da região metropolitana do Rio consideram a ação policial um sucesso. Pesquisa Genial/Quaest mostra que 80 % dos cariocas acreditam que os chefes das facções vivem em bairros de alta renda, não em favelas. Já o Paraná Pesquisas indica que 56,1 % dos entrevistados avaliam como ruim ou péssimo o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no combate ao tráfico.
Novas leis e PEC da Segurança Pública
Após a operação, o presidente sancionou lei que amplia penas para integrantes de facções, pessoas que as protejam ou contratem seus serviços. Paralelamente, o governo tenta aprovar, desde abril, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que dá status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e prevê maior integração entre forças policiais. A votação, porém, não avançou na Câmara dos Deputados.
Queda na taxa de homicídios em dez anos
O Atlas da Violência 2025 registra 45 747 homicídios no Brasil em 2023, taxa de 21,2 por 100 mil habitantes – redução de 20,3 % em relação a 2013. Entre os estados, o Amapá apresenta a maior taxa (57,4/100 mil) e o maior crescimento no período (+129,3 %). A Bahia lidera em números absolutos, com 6 616 mortes, aumento de 16,2 % na década. São Paulo exibe a menor taxa (6,4/100 mil) e a maior queda (-49,6 %).
Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, a maioria dos estados reduziu os homicídios. No Norte e na Bahia, a violência cresceu. Sergipe diminuiu as mortes em 27,7 % no período; Alagoas, em 44,4 %.
Com informações de Infonet
Siga o Sergipe News e receba as notícias de Sergipe em primeira mão.








