O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu na última sexta-feira, 29 de maio, à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, com a nova categorização entrando em vigor a partir de 5 de junho.
Durante uma declaração pública, Lula expressou sua disposição em cooperar com os EUA no combate ao crime organizado, mas deixou claro que espera a entrega de brasileiros que estariam no território norte-americano. “Vamos começar por aí, vamos começar por entregar o [Alexandre] Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá”, enfatizou o presidente.
A medida dos Estados Unidos gerou preocupação no Palácio do Planalto, que teme possíveis ações norte-americanas em solo brasileiro. Além de Ramagem, Lula mencionou o empresário Ricardo Magro, vinculado à Refit, empresa que o presidente acusou de ter débitos bilionários com o fisco.
“Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão nos EUA. Não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta”, afirmou Lula, destacando a necessidade de um tratamento respeitoso entre as nações.
O presidente também criticou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, insinuando que sua ausência na situação se deve a interesses pessoais. “Seu Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição nesse país, que não tem vergonha de trair nossa pátria”, declarou.
O governo federal, por sua vez, também se manifestou oficialmente em resposta à decisão dos EUA. Em uma nota divulgada na mesma data, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) reafirmou que “a soberania nacional é inegociável” e rejeitou tentativas de interferência estrangeira no Brasil.
A nota ressaltou que o Brasil já realiza ações permanentes de combate ao PCC, ao Comando Vermelho e a outras facções criminosas. Além disso, o comunicado criticou a família Bolsonaro, afirmando que a população brasileira é enganada “por traidores”.




