Em artigo de opinião, o jornalista Marcos Cardoso afirma que os Estados Unidos atravessam o período de maior ameaça à sua supremacia desde a consolidação do poder militar e econômico obtido após a Guerra Hispano-Americana (1898) e a Segunda Guerra Mundial.
Ordem unipolar em transformação
Segundo Cardoso, a configuração global unipolar, vigente desde o fim da Guerra Fria, dá lugar a uma estrutura mais multipolar. O avanço econômico e tecnológico de China, Rússia, Índia e Brasil, além de outras potências regionais, impõe desafios diretos à liderança norte-americana.
Desdolarização e BRICS
O fortalecimento de alianças alternativas, especialmente os BRICS, é apontado como fator que estimula a desdolarização e oferece caminhos fora do sistema financeiro comandado por Washington. Esse movimento, na avaliação do jornalista, corrói a influência exercida pelos EUA nas últimas décadas.
Política externa mais nacionalista
Cardoso observa que a pauta Make America Great Again (MAGA), associada a Donald Trump, adota postura nacionalista e, por vezes, tensiona a relação com aliados tradicionais, enfraquecendo parcerias construídas no pós-guerra.
Conflitos e limitação de poder
A dificuldade em oferecer soluções para guerras como as da Ucrânia e da Faixa de Gaza sustenta a percepção de um “xerife mundial” com poder cada vez mais limitado. Para o autor, a resposta do governo norte-americano concentra-se em conter a expansão chinesa e proteger interesses estratégicos.
Disputa comercial e superávit chinês
Na guerra comercial e tecnológica, os EUA aplicam tarifas e sanções, enquanto Pequim amplia a influência global. O artigo cita projeção de superávit comercial recorde de US$ 1,19 trilhão em 2025 para a China, mesmo com ritmo menor de crescimento do PIB.
Avaliação de analistas externos
O texto lembra reportagem do jornalista Murtaza Hussain, publicada no Intercept em setembro de 2017, segundo a qual “o império global americano está entrando em um longo e convulsivo declínio”, processo iniciado com a invasão do Iraque em 2003 e intensificado na presidência de Trump.
Tensão no Oriente Médio
Cardoso aponta ainda que um ataque norte-americano ao Irã – país identificado como principal parceiro comercial da China no Oriente Médio – pode resultar em derrota política para Trump e acelerar a perda de poder de Washington, após pressões exercidas contra a Venezuela.
Paralelo histórico
O jornalista compara o momento vivido pelos EUA ao declínio de antigos impérios, como os Romano, Britânico e Soviético, destacando que nenhuma dessas potências recebeu compaixão internacional quando perdeu influência.
Para Cardoso, embora o colapso norte-americano não seja imediato, a combinação de fatores geopolíticos, econômicos e estruturais indica que “ninguém vai chorar” pelo eventual fim da primazia dos Estados Unidos.
Com informações de Infonet
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