Os editoriais dos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, publicados no domingo, 31 de maio de 2026, manifestaram críticas contundentes ao acordo entre o governo federal e o Distrito Federal para o socorro ao Banco de Brasília (BRB). A instituição financeira, atualmente em situação de insolvência, enfrenta um rombo financeiro significativo, estimado em R$ 8,8 bilhões, resultado da tentativa de aquisição de ativos problemáticos do Banco Master. O plano de resgate, que poderá liberar até R$ 6,5 bilhões em empréstimos via Fundo Garantidor de Créditos (FGC), conta com a intermediação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Estadão considerou os termos do plano de salvamento como uma ofensa ao país e levantou suspeitas de corrupção e gestão inadequada. O jornal destacou que a ajuda financeira foi aprovada antes mesmo da auditoria e divulgação do balanço financeiro do BRB correspondente ao ano anterior. Segundo o editorial, um banco privado que apresentasse um déficit de R$ 8,8 bilhões enfrentaria a liquidação extrajudicial, mas as regras parecem ter mudado para proteger aliados políticos em um ano eleitoral.
“Mudanças na postura da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram notadas, uma vez que promessas de não interferir na crise do banco regional foram deixadas de lado”, afirmou o Estadão.
A Folha de S.Paulo adotou uma análise semelhante, sugerindo que o esforço para capitalizar o BRB reflete mais as conveniências eleitorais do que um real compromisso com a boa gestão financeira. O jornal criticou a decisão das autoridades de utilizar recursos públicos em vez de reavaliar o modelo de gestão do banco estatal. A Folha propôs que o ideal seria transferir o controle para a iniciativa privada.
Ambos os jornais expressaram ceticismo em relação às contrapartidas fiscais acordadas, que incluem cortes de 10% nas despesas do Distrito Federal e a suspensão de aumentos salariais e concursos até o final de 2026. A Folha alertou que ajustes prometidos por governadores frequentemente não são cumpridos, muitas vezes com a conivência do STF.
Por fim, o Estadão concluiu que a operação poderá resultar em impunidade para os responsáveis pela gestão inadequada, com um plano de pagamento da dívida que se estenderá por 15 anos, incluindo um período de carência de dois anos, usando repasses de fundos constitucionais como garantia. Os editoriais concordam que esse arranjo financeiro tende a perpetuar práticas de governança ruins e transferir o ônus para os contribuintes.
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