Com quase 45 anos de carreira dedicada ao forró raiz, Joésia Ramos se apresenta nesta segunda-feira, 22, no Palco Gerson Filho, durante o Forró Caju 2026, na Praça dos Mercados, em Aracaju.
O coração do Nordeste pulsa forte no Forró Caju 2026, e o Palco Gerson Filho tem sido palco de celebração, memória e representatividade. Com uma programação que valoriza a presença feminina no forró raiz, o espaço reuniu apresentações de nomes importantes do gênero, como Joésia Ramos e Joseane Dy Josa, que levaram ao público da Praça dos Mercados muito forró tradicional e a essência viva da cultura nordestina.
Nesta segunda-feira, 22, é a vez de Joésia Ramos brilhar novamente sob os holofotes do Palco Gerson Filho. Cantora e compositora sergipana com uma trajetória de quase 45 anos dedicada ao forró, ela lançou seu primeiro CD, “De Passagem”, em 1997, e desde então construiu uma carreira marcada por sucessos como “Barcos e Beijos” e “Amor Roxo” — músicas que também foram regravadas por artistas como Amorosa, Antônio Rogério e Chico Queiroga. Sua relação com o forró nasce das raízes mais profundas, aquelas que a vida no interior planta na alma da gente desde cedo. “A minha história familiar se cruza quando eu era muito pequenininha, porque eu ficava à beira do rio que tinha lá em casa, ouvindo Clemilda e Gerson Filho. E o São João era, e ainda é, uma alegria, uma festa de colheita. E como a minha família vem do interior, a gente sempre teve essa cultura lá em casa, de colocar fogueira na porta, além de dançar quadrilha na escola”, conta Joésia com a emoção de quem carrega o Nordeste no peito.
Para a artista, levar o forró raiz ao público — especialmente aos mais jovens — vai muito além do entretenimento. É um ato de preservação cultural. “Levar o forró raiz, da maneira que ele é, até para os mais jovens é muito importante. Porque além de levar alegria e dança para as pessoas, nós também propagamos informações sobre a nossa cultura através da música. Então, estar no palco do Gerson Filho, tendo esse contato com um público tão diverso, significa muito para mim, porque sinto que estou alimentando a nossa cultura”, afirma. Joésia também reflete sobre o papel transformador do forró na conquista de espaços pelas mulheres: “Antes, dentro dessa cultura mesmo do milho e da colheita, as mulheres estavam na cozinha fazendo as comidas típicas e outras coisas da casa. E hoje em dia as mulheres continuam lá, mas também muitas mulheres que têm o dom e a habilidade para cantar e compor estão ocupando esses espaços naturalmente”. Uma voz que canta, que resiste e que celebra — Joésia Ramos é exatamente o que o São João de Sergipe tem de mais bonito.


