Nos últimos anos, o debate sobre a Inteligência Artificial (IA) e seu impacto na democracia brasileira tem ganhado destaque. Um estudo do Journal of Democracy traz à tona questões cruciais sobre a sobrevivência da democracia nos próximos 20 anos, destacando a importância do PIB “produtivo” em comparação ao PIB “bruto”.
A pesquisa aponta que economias com um PIB “produtivo” superior a US$ 20 mil por pessoa têm cerca de 97% de chance de manter sua democracia estável por duas décadas. No entanto, o Brasil se encontra em uma situação delicada, com um PIB “produtivo” de aproximadamente US$ 20.770, o que nos coloca tecnicamente na zona de segurança, mas sem margem para imprevistos.
É nesse contexto que a Inteligência Artificial pode atuar como um fator decisivo. Se a IA se tornar uma nova forma de “petróleo digital”, concentrando riqueza nas mãos de algumas plataformas, isso poderá significar uma erosão das instituições democráticas. Nesse cenário, o PIB “produtivo” poderia despencar, colocando em risco a estabilidade da democracia brasileira, reduzindo as chances de sobrevivência para cerca de 75% ou menos.
A IA, se mal utilizada, pode ser uma “maldição dos recursos naturais”.
Por outro lado, a utilização da IA de maneira a aumentar a produtividade de todos, em vez de beneficiar apenas uma elite, pode ser a chave para fortalecer a democracia. Isso requer a implementação de políticas que promovam a concorrência e a interoperabilidade, além de um controle antitruste eficiente. Também é fundamental que o governo utilize seu poder de compra para melhorar a infraestrutura e que a tecnologia alcance pequenas e médias empresas.
Além disso, a discussão sobre a Renda Básica Universal se torna relevante, especialmente para aqueles cujos empregos possam ser afetados pela automação. Propostas de legislações que protejam a população dos efeitos negativos da IA, como as deepfakes eleitorais, também devem ser consideradas.
A IA não é um destino inevitável; sua gestão poderá determinar seu impacto na democracia.
Portanto, o futuro da democracia brasileira em face da Inteligência Artificial está em nossas mãos. Se soubermos transformar a IA em uma ferramenta de inclusão e prosperidade, poderemos construir uma sociedade mais rica e estável.
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