Sonolência, confusão mental e falta de apetite podem indicar infecção séria em idosos. Sem febre, os sintomas enganam familiares e atrasam o diagnóstico, aumentando o risco de morte.
Uma infecção silenciosa em idosos pode iniciar com sinais quase imperceptíveis, como sonolência excessiva, perda de apetite e confusão mental. Essas manifestações são especialmente preocupantes em idosos frágeis, que podem não apresentar febre, exigindo atenção redobrada de familiares e cuidadores. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves, internações e até mesmo mortes.
A infectologista Karina Ramalho explica que o idoso considerado frágil tem menor reserva fisiológica, dificultando a reação do organismo a estressores como infecções e desidratação. “Isso geralmente está associado a uma série de fatores, como perda de força, lentidão para andar, cansaço, perda de peso involuntária e maior dependência em atividades diárias”, esclarece a médica.
Karina ressalta que infecções que são vistas como simples em pessoas mais jovens podem rapidamente se tornar graves para os idosos. “A evolução pode incluir delirium, perda funcional, internação e até risco de morte”, alerta.
Contrariando a percepção comum, a febre não é necessariamente um sinal de alerta. Em idosos, a infecção pode se manifestar de forma discreta, com mudanças no comportamento, sonolência, piora do apetite, hipotermia e alterações na glicemia, que frequentemente passam despercebidas.
Um dos quadros comuns relacionados a infecções é o delirium, um estado de confusão mental que afeta atenção e comportamento. “Quando o cérebro reage mal à inflamação, o idoso pode ficar desorientado, mais sonolento ou até agitado”, explica Karina. Quedas também são um sintoma indireto, podendo ser a primeira indicação de um problema agudo.
As infecções mais recorrentes entre idosos frágeis incluem as respiratórias, urinárias, gastrointestinais e de pele. O risco é maior em pessoas com mobilidade reduzida e dependência de cuidados diários. Em instituições de longa permanência, o contato próximo entre residentes e o uso de sondas aumentam a disseminação de doenças.
As infecções urinárias precisam de atenção especial, pois muitas vezes são subdiagnosticadas. “Os sintomas clássicos, como ardor ao urinar ou febre, podem não se apresentar. O idoso pode apenas mostrar confusão mental ou queda do estado geral”, aponta a especialista.
Karina também alerta sobre o uso indiscriminado de antibióticos, especialmente quando há suspeita de infecções urinárias sem confirmação clínica. O tratamento inadequado pode aumentar a resistência bacteriana. A recomendação é sempre buscar avaliação médica antes de iniciar qualquer medicação.
A prevenção é fundamental. Manter hidratação, alimentação equilibrada, higiene das mãos e íntima, além de reduzir períodos de imobilidade, são algumas das recomendações. A vacinação em dia é outro ponto essencial, especialmente contra influenza e pneumonia. “Familiares e cuidadores devem estar atentos a mudanças no comportamento e nunca postergar a busca por atendimento médico ao perceberem pioras”, finaliza Karina Ramalho.




