A produtora rural Maria da Paz, de 78 anos, protagonizou um ato de resistência na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, ao ajoelhar-se diante de máquinas que se preparavam para entrar em sua propriedade. O episódio ocorreu durante uma desapropriação relacionada às obras de duplicação da GO-330, que liga Catalão a Ipameri, no sudeste de Goiás. As imagens do momento rapidamente se espalharam nas redes sociais, gerando grande repercussão.
De acordo com a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), a movimentação das máquinas foi realizada para cumprir uma ordem judicial. A agência informou que já depositou R$ 550 mil em indenização pela área que será afetada e garantiu que a residência de Maria da Paz não será impactada pelas obras.
“Estou muito abalada com essa situação”, declarou a idosa em entrevista ao g1, ressaltando que vive na propriedade há aproximadamente 50 anos e que lá mantém a criação de vacas e a produção de queijo.
O que está em disputa, segundo João Paulo Nogueira da Silva, membro da Comissão de Proprietários Atingidos pela Duplicação da GO-330, é a preocupação em relação ao avanço das máquinas além da área necessária para a passagem da rodovia. Ele expressou receio de que partes da fazenda possam ser utilizadas para a extração de cascalho durante a execução da obra.
A comissão representa 46 proprietários rurais que serão afetados pelas desapropriações. Até o momento, apenas dois acordos foram realizados de forma amigável. Os proprietários afirmam que os valores oferecidos pelo Estado não correspondem ao valor de mercado das propriedades, pleiteando indenizações mais justas.
Por outro lado, a Goinfra defende que o valor depositado para Maria da Paz está acima dos preços praticados na região e destacou que a família reivindica R$ 5,8 milhões pela área desapropriada. Em nota, a agência reafirmou que seguiu os critérios estabelecidos pela legislação e que a continuidade das obras é uma determinação judicial.
A duplicação da GO-330 faz parte de um projeto do Governo de Goiás, dividido em três etapas, com um investimento total estimado em cerca de R$ 400 milhões. O objetivo da obra é ampliar a capacidade da rodovia entre Catalão e Ipameri.
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