O governo Lula (PT) divulgou uma nota na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, em resposta à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos que classificou as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No comunicado, a administração federal condenou a articulação da família Bolsonaro junto a autoridades americanas, considerando essa conduta um ataque à soberania nacional.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifário, que causou tantos danos ao nosso país”,
afirmou o governo. O texto também criticou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, chamando-os de “falsos patriotas” que tentariam manipular conceitos de segurança pública para fins políticos.
A medida dos EUA, assinada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, designa o PCC e o CV como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) e “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs). A nova classificação entra em vigor em 5 de junho e, segundo o governo americano, os grupos criminiais são responsáveis por ataques brutais, possuindo redes ilícitas que ameaçam a segurança nacional dos Estados Unidos.
A classificação ocorreu após reuniões em Washington entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e representantes do governo americano, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o vice-presidente J.D. Vance. Flávio Bolsonaro celebrou a decisão em suas redes sociais, afirmando que a solicitação foi feita diretamente a Trump para garantir um combate rigoroso às facções.
“O povo brasileiro de bem agradece a atenção e o compromisso do @SecRubio e do @realDonaldTrump. Essa luta é de todos nós. Vamos dar um basta nesses grupos! O Brasil merece ter paz! O Brasil tem futuro!”
Na nota emitida, o governo brasileiro sustentou que o crime organizado no Brasil busca lucro por meio do tráfico de drogas e armas, o que não deve ser confundido com terrorismo internacional. “O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos”, destacou.
O governo também mencionou que apresentou em 16 de abril deste ano ao Departamento de Estado dos EUA uma proposta focada em inteligência e cooperação internacional, visando ampliar os controles sobre a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Além disso, enfatizou a soberania do Brasil e que o combate às facções é uma prioridade do Estado.
“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”,
concluiu o governo na nota. Especialistas em direito internacional alertam que essa classificação altera o patamar das investigações nos EUA, transferindo a responsabilidade para o Departamento de Defesa, o que pode resultar em bloqueio de bens, cancelamento de vistos e até intervenções militares.
O professor João Amorim, da Unifesp, comentou que essa medida pode ser vista como uma interferência em assuntos internos do Brasil, sugerindo uma falência na segurança pública e criando instabilidade nas relações diplomáticas entre os dois países. O governo brasileiro finalizou reiterando que a colaboração internacional é bem-vinda, mas que a soberania nacional é inegociável.
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