O governo federal, liderado pelo presidente Lula, manifestou-se contra a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) na última sexta-feira, 29 de maio, o governo afirmou que “a soberania nacional é inegociável” e rejeitou qualquer tentativa de interferência estrangeira nos assuntos internos do Brasil.
A crítica ocorre após o Departamento de Estado dos EUA anunciar que as duas principais facções criminosas do Brasil seriam incluídas na lista de “terroristas globais especialmente designados”, com a medida entrando em vigor no dia 5 de junho.
“Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, destacou a Secom.
A nota ainda ressalta que o Brasil já realiza um combate contínuo contra o PCC, o Comando Vermelho e outras organizações que atuam no tráfico de drogas e armas e que, segundo o governo, buscam lucro por meio do crime. A Secom enfatizou que o terror causado por essas organizações não deve ser confundido com o terrorismo internacional, que tem motivações ideológicas, políticas e religiosas.
Além de criticar a classificação dos grupos, a Secom também aproveitou para atacar a “família Bolsonaro”, acusando-a de manipular a questão da segurança pública para fins políticos. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil”, afirmou a nota.
O governo Lula reafirmou que, em abril deste ano, apresentou uma proposta de cooperação ao Departamento de Estado dos EUA focada no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas. No entanto, apesar de demonstrar apoio a ações conjuntas contra o crime organizado, o Planalto criticou as medidas unilaterais adotadas por governos estrangeiros.
“Não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, destacou a Secom.
A decisão dos EUA, anunciada no dia 28 de maio, foi assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e faz parte de uma estratégia do governo anterior para intensificar o combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional. Rubio classificou o PCC e o CV como “duas das mais violentas organizações criminosas do Brasil”, afirmando que suas influências se estendem além das fronteiras nacionais.


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