O Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”, começa nesta segunda-feira, 1º de junho, em um cenário atípico. Pela primeira vez desde a sua consolidação como um dos principais encontros entre ministros, políticos, empresários e advogados, a presença do Supremo Tribunal Federal (STF) será reduzida.
A diminuição do número de ministros do STF no evento ocorre em um contexto marcado por repercussões relacionadas ao caso do Banco Master, por uma crescente pressão por um código de ética para magistrados e pela proximidade das eleições de 2026.
O evento contará apenas com a presença de dois ministros do STF: Gilmar Mendes, que é o anfitrião, e Alexandre de Moraes.
Inicialmente, três ministros estavam programados para participar do evento, incluindo Flávio Dino. No entanto, no domingo, 31 de maio, foi anunciado que Dino cancelou sua viagem a Lisboa devido a um “pequeno acidente doméstico”. Ele informou: “Não obtive autorização médica para um longo voo até Lisboa, a fim de participar de mais uma edição do sempre bem-sucedido Fórum, coordenado pelo colega e amigo Gilmar Mendes”.
O Fórum de Lisboa espera contar com a presença de ministros, políticos e outras autoridades. Treze ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estão confirmados para os painéis, incluindo figuras que têm comparecido ao encontro desde 2024, como Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva, Rogério Schietti Cruz e Sebastião Reis Júnior.
Entre os políticos confirmados estão: Hugo Motta, presidente da Câmara; Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado; Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central; Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul; Raquel Lyra, governadora de Pernambuco; Wanderlei Barbosa, governador do Tocantins; e Helder Barbalho, ex-governador do Pará e pré-candidato ao Senado.
A diminuição da participação do STF neste ano é notável em comparação aos eventos dos anos anteriores. Em 2024, participaram do Fórum ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No ano seguinte, a lista incluiu Barroso, Moraes, André Mendonça, Flávio Dino e Gilmar Mendes.
O contexto atual do Judiciário é de questionamentos sobre a relação entre as autoridades, empresários e operadores do mercado financeiro, especialmente após a exposição das relações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Nos bastidores do Congresso e do Judiciário, o Fórum de Lisboa é visto como um importante teste de imagem para as instituições, considerando o recente escândalo. A ausência de ministros que participaram de edições anteriores é vista como um sinal de cautela diante do momento de desgaste.
Além disso, a discussão sobre a implementação de regras mais rígidas para a participação de magistrados em eventos patrocinados por agentes privados tem ganhado força nos últimos meses, aumentando o escrutínio sobre encontros que misturam integrantes dos Poderes e representantes do mercado.


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