São Cristóvão (SE) – O Festival de Artes de São Cristóvão (Fasc) abriu oficialmente a edição 2025 nesta quinta-feira, 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, com programação inteiramente dedicada a artistas negros e às manifestações culturais de matriz africana. A iniciativa é promovida pela Prefeitura de São Cristóvão, em parceria com o Governo de Sergipe, e ocupa espaços históricos da chamada Cidade Mãe.
Durante todo o dia, a Praça São Francisco, o Centro Histórico e demais palcos receberam danças, cortejos, rodas de samba, poesia, teatro, literatura e rituais tradicionais, convidando o público a refletir sobre identidade e ancestralidade negra em Sergipe e no Brasil.
Apresentações em destaque
Na Bica dos Pintos, o Projeto Sambalá, do terreiro Alarokê, levou cânticos e percussões marcados por espiritualidade e força coletiva. “É emocionante iniciar o Fasc numa data tão simbólica. A energia está incrível, com moradores e turistas juntos”, comentou a coordenadora Rita Avelar.
No Salão de Literatura, escritores discutiram representatividade e ampliaram o debate sobre saúde emocional da população negra. A autora e apresentadora Elisama Santos defendeu a importância de “construir vínculos saudáveis” como parte da resistência.
Cortejos dos grupos Mestre Nega, Burundanga e Pífano São José animaram a Praça da Bandeira. Aos 73 anos, José Domingos, integrante do Pífano São José, celebrou a oportunidade de “ver o público valorizando nossa cultura”. A musicista Amanda Castelo, do Burundanga, ressaltou o sentimento de pertencimento: “Tocar aqui reforça nossas raízes”.
Experiência do público
Moradores e visitantes destacaram a atmosfera do evento. A sergipana Verusca Barbosa levou a filha Duda para “viver a cultura” no 20 de Novembro, enquanto o músico Jairo Pereira classificou o festival como “energia total” ao celebrar a arte negra.
Primeira vez no Fasc, Deise Maria elogiou a diversidade das atividades. A amiga Mônica Trindade disse sentir “um momento ancestral” ao percorrer a cidade. Já a soteropolitana Emilly Matos contou estar “encantada” com a riqueza cultural. O curador belo-horizontino Vitú de Souza afirmou ter encontrado “pluralidade incrível de narrativas” para sua pesquisa.
Histórico e estrutura
Realizado desde a década de 1970, o Fasc é considerado um dos principais encontros culturais do Nordeste. Após pausa em 2005, o festival voltou em 2017 e mantém palcos no Centro Histórico e em bairros de São Cristóvão, quarta cidade mais antiga do país.
A edição de 2025 é apresentada pelo Ministério da Cultura, com execução da Prefeitura de São Cristóvão, Fundação João Bebe Água (Fumpac) e Encontro Sancristovense de Cultura Popular e Outras Artes (Escoa), além do Governo de Sergipe via Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap). O evento conta com patrocínio de Celi, Banco do Nordeste, Iguá Sergipe, Ecoparque Sergipe e Caixa, e apoio de SE Sistema Engenharia, Colortex Tintas, Unir Locações e Vitória Transportes.
As atividades seguem ao longo do fim de semana, reunindo música, teatro, artes visuais, cinema e outras linguagens que celebram a herança afro-brasileira.
Com informações de Governo de Sergipe
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