O feminicídio em Sergipe continua a ocorrer longe dos olhos do poder público. Dados de 2026 apontam que, mesmo com campanhas de conscientização e reforço policial, a maioria dos crimes foi cometida sem registros prévios de denúncia, evidenciando a dificuldade de romper o silêncio que cerca a violência doméstica.
Especialistas apontam que o agressor costuma exercer domínio psicológico e controle sobre a vítima dentro de casa, o que dificulta a identificação de sinais de risco pelas autoridades. Esse cenário remete a casos emblemáticos de impunidade, como o assassinato de Ângela Diniz, julgado em 1979, quando a defesa do réu tentou invocar a “legítima defesa da honra”. A repercussão negativa do episódio impulsionou a luta por leis mais duras contra a violência de gênero.
A resposta institucional
A principal ferramenta legal de proteção às mulheres, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), nasceu a partir da história de Maria da Penha Maia Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas de homicídio em 1983. A norma criou medidas protetivas e ampliou a prioridade dos casos nos órgãos de segurança, mas sua efetividade depende da quebra do silêncio dentro dos lares.
Limites da vigilância
Mesmo com patrulhamento reforçado e novas delegacias especializadas, autoridades admitem que a privacidade do ambiente doméstico impede ações preventivas mais assertivas. Sem boletins de ocorrência ou relatos de vizinhos e familiares, a polícia raramente consegue antecipar o momento em que a violência letal acontece.
Posicionamento do governo estadual
Após sucessivos casos no estado, a secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão Social e Cidadania, Érica Mitidieri, divulgou um vídeo nas redes sociais. “Não é um caso isolado, não é coincidência e não pode ser normalizado”, afirmou. Ela classificou a violência contra mulheres como um processo que “começa no desrespeito, no controle e na diminuição” e convocou a população a agir antes que o ciclo chegue ao assassinato.
Educação e mobilização
Organizações civis e o governo concordam que a prevenção passa por educação de base, para que crianças sejam formadas em valores de respeito e autonomia. A meta é romper o ditado popular “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, considerado uma licença social para a omissão.
Enquanto campanhas seguem tentando dar visibilidade ao tema, especialistas reforçam que denúncias de vizinhos, amigos e familiares continuam sendo o principal gatilho para acionar a rede de proteção criada pela Lei Maria da Penha.
Com informações de infonet.com.br
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