Na noite da última sexta-feira, 29 de maio de 2026, os alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) decidiram encerrar a greve iniciada em abril, com um resultado de 370 votos a 324. A paralisação havia interrompido as aulas na tradicional instituição localizada no Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, e tinha como principais pautas a permanência estudantil, melhorias na infraestrutura e políticas afirmativas.
A greve teve início após uma assembleia do Centro Acadêmico XI de Agosto, realizada em 23 de abril, onde a paralisação foi aprovada com 902 votos favoráveis e 459 contrários. As aulas foram suspensas no dia seguinte. Entre as reivindicações estavam melhorias no refeitório, aumento do auxílio de permanência estudantil para o equivalente ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1,8 mil, e a ampliação de bolsas acadêmicas.
Durante o movimento, os estudantes entregaram um relatório à diretoria da faculdade apontando problemas estruturais, como carteiras quebradas, goteiras, fios expostos e mofo. A diretora Ana Elisa Liberatore Bechara se comprometeu a manter um diálogo aberto com os alunos em busca de soluções.
Um dos principais pontos de impasse nas negociações foi o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil, que visa apoiar alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A reitoria propôs um reajuste anual com base na inflação, que elevaria o auxílio integral de R$ 885 para R$ 912. No entanto, os estudantes pediam um aumento próximo ao salário mínimo.
AUSP também apresentou propostas para melhorar o funcionamento dos restaurantes universitários, incluindo a formação de grupos para avaliar a qualidade do serviço e a ampliação da oferta de refeições. Além disso, foram sugeridos grupos de trabalho para discutir a inclusão de pessoas trans e indígenas nas cotas de seleção.
Durante a greve, que durou 35 dias, houve momentos de tensão, como a invasão do prédio da reitoria em 7 de maio, onde estudantes buscavam pressionar a administração a retomar as negociações. A ocupação foi desfeita pela Polícia Militar, que atuou na madrugada do dia 10 de maio, resultando na detenção de quatro estudantes. Relatos de manifestantes indicaram o uso de gás lacrimogêneo e cassetetes na operação.
Apesar da paralisação das aulas de graduação, atividades de pós-graduação e eventos continuaram a ocorrer. O Centro Acadêmico organizou uma programação cultural durante o período de greve, com rodas de conversa e exibições de filmes. Com o encerramento da greve, espera-se que as atividades letivas sejam retomadas na Faculdade de Direito da USP.



