No bairro Mosqueiro, a Escola Municipal de Ensino Fundamental José Carlos Teixeira possui uma história profundamente entrelaçada com a comunidade local. Ao longo das décadas, a instituição formou milhares de crianças, tornando-se um símbolo de pertencimento e identidade cultural na região.
O legado da escola começou na década de 1940, quando as professoras Josefa Lopes de Oliveira, conhecida como “Minha Mestra”, e Eulina Brito, a “Dona Ninha”, fundaram a unidade de ensino. Inicialmente, as aulas eram realizadas na residência de Dona Josefa, no Loteamento Galego, sob o nome de Escola Municipal Frei Pascásio, administrada pela Prefeitura de São Cristóvão. Hoje, a história que elas ajudaram a construir continua viva e é preservada por moradores que conhecem essa trajetória.
Maxsuel Oliveira, bisneto de Dona Josefa e assistente técnico na Escola José Carlos Teixeira, destaca a importância da escola para sua família. “Eu costumo dizer que existe uma linhagem histórica na nossa família. Minha bisavó fundou a escola, minha avó estudou aqui, depois vieram minha mãe, minha tia, meus primos e eu também fui aluno. Hoje trabalho na escola desde novembro de 2025 e sinto muito orgulho de fazer parte de um lugar que carrega a história da minha família e de tantas outras famílias do Mosqueiro”, afirmou.
Essa relação afetiva se repete entre muitos moradores da comunidade. A escola acolheu diferentes gerações da mesma família ao longo dos anos, acompanhando o crescimento do bairro, que abriga um dos principais cartões-postais de Sergipe: a Orla Pôr do Sol. Maxsuel ressalta: “A escola tem vista para a orla e faz parte da identidade do povo do Mosqueiro. A comunidade nasceu da pesca, às margens do rio Vaza-Barris, que até hoje garante o sustento de muitas famílias. Essa ligação com o território é muito forte, principalmente para quem estudou aqui”.
Da pequena escola instalada na casa de Dona Josefa ao prédio atual, que conta com 215 alunos matriculados, seis salas de aula, refeitório, quadra esportiva, sala multiuso e demais espaços administrativos, a trajetória foi construída com dedicação à educação e ao desenvolvimento da comunidade. Maxsuel observa: “Minha bisavó e Dona Ninha eram moradoras da região e alfabetizaram crianças do Mosqueiro e de localidades vizinhas, numa época em que praticamente não existiam escolas na Zona de Expansão. Elas realmente estavam à frente do seu tempo”.
Dona Josefa, nascida em 24 de julho de 1916, completaria 110 anos neste mês. Ela faleceu em 1956, aos 40 anos, e, após sua morte, as aulas passaram a ser realizadas na residência da professora Eulina Brito. É nesse local que hoje funciona a Escola José Carlos Teixeira. Na década de 1990, a Prefeitura de Aracaju adquiriu a área, ampliou a estrutura da unidade e assumiu sua administração, preservando a história iniciada pelas duas educadoras.
Atualmente, sob a direção de Marcelo Souza, a escola mantém vivo o legado de Josefa Lopes e Eulina Brito, oferecendo uma educação inclusiva, acolhedora e comprometida com a aprendizagem dos estudantes da comunidade. Para Maxsuel, fazer parte da equipe da escola é mais do que um trabalho: “É um misto de sentimentos, mas principalmente de gratidão. Hoje posso colaborar com uma instituição que nasceu pelas mãos da minha bisavó e da qual também fui aluno. Voltar para cá como servidor, trabalhando pelo bem-estar das crianças e ajudando a construir novas histórias, é uma forma de retribuir tudo o que recebi aqui. Isso é extremamente gratificante”.
Fonte: Prefeitura de Aracaju
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