A empresária Daiana Schuinsekel de Almeida, investigada por torturar e matar animais para produzir vídeos de conteúdo sexual, foi solta poucas horas após ser presa pela Polícia Civil de São Paulo. Sua libertação gerou revolta entre protetores, ativistas e organizações que defendem os direitos dos animais, especialmente após o governo paulista ter anunciado um endurecimento nas punições para casos de crueldade contra animais.
A situação ganhou notoriedade nacional devido à gravidade das acusações. Consta nas investigações que a empresária produzia e comercializava vídeos de extrema violência contra animais, que eram destinados a um público clandestino, inclusive fora do Brasil. Animais como coelhos, gatos e pintinhos eram submetidos a atos brutais durante as gravações, que posteriormente eram vendidas em plataformas restritas na internet.
A liberação de Daiana ocorreu em um momento em que o governo de São Paulo implementou novas medidas para combater os maus-tratos. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou um decreto que aumenta as penalidades administrativas, com multas que podem alcançar até R$ 50 mil por animal em casos de crueldade extrema, sofrimento intenso, abandono ou reincidência. No entanto, a suspeita deixou a delegacia no mesmo dia da operação, o que, segundo representantes da causa animal, enfraquece a mensagem de ‘tolerância zero’ que o governo pretende passar e intensifica a sensação de impunidade relacionada a um dos casos mais chocantes de violência contra animais nos últimos anos.
“A situação enfraquece a mensagem de tolerância zero anunciada pelo governo”, afirmam defensores dos direitos animais.
Entenda o caso: Daiana confessou à polícia que produziu vídeos de zoosadismo — uma prática que combina a violência contra animais com excitação sexual. Em depoimento, revelou ter gravado esses conteúdos entre 2020 e 2021 e expressou arrependimento por suas ações. A Polícia Civil informou que os vídeos eram vendidos para comunidades especializadas na Europa, com preços variando entre 20 e 50 euros, dependendo do conteúdo.
A investigação teve início a partir de uma denúncia realizada por uma ONG de proteção animal da Bulgária à Polícia Federal brasileira. O caso foi transferido para a Polícia Civil de São Paulo, que identificou a suspeita e realizou a operação no bairro da Bela Vista, na região central da capital. Durante as buscas, os investigadores apreenderam sapatos que teriam sido utilizados nas gravações, e a empresária colaborou entregando senhas de celulares e computadores para auxiliar nas investigações.
Como não houve flagrante, Daiana foi liberada após prestar depoimento e responderá em liberdade pelos crimes de maus-tratos e atos obscenos. A Polícia Civil continua suas investigações para identificar outros envolvidos na produção e comercialização dos vídeos, além de possíveis compradores no exterior.


